14/01/2015

||| do pensamento único na escola...


||| ... assusta-me a constante espera da resposta que venha da "tutela", de quem tem responsabilidade, do director, do coordenador, dos outros. sempre dos outros. um plano de formação, uma reunião, uma matéria para ser leccionada. tudo decidido pelos outros. e depois, "não nos ouvem". e depois, nada "funciona". e depois, "é o sistema". e para rematar: "tem que ser assim" e "sempre foi assim". o pensamento próprio passou a ser, na escola, um pensamento dos loucos ou dos privilegiados. e isto é assustador. a ideia que se tem que cumprir qualquer coisa só porque se tem, porque está escrito ou esperar que outros decidam por nós o que para nós é o melhor foi um conquista maquiavélica desta equipa ministerial que conseguiu elevar ao máximo o "pensamento único" para coisas que "não podem ser de outra maneira". isto era só assustador se fosse noutro organismo qualquer da função pública. mas é na escola. o lugar, por excelência do questionamento e das liberdades. mas mortos e enterrados estes princípios, agora, é tão fácil ver tudo a dizer que tem que ser assim, que esperam da tutela a panaceia ou a orientação. melhor, o rumo. e isto é triste. é a prova que se pode matar a escola mantendo só as paredes e as janelas porque quando ninguém diz que não, faz perguntas ou diz que há outros caminhos é, para os outros todos que seguem o que vem em mais um regulamento, proscrito. pensar pela própria cabeça, saber o que se quer para a escola, para uma aula, para um trabalho em equipa é agora um acto de rebeldia. melhor, de rebelião. e já não resiste a pergunta: como chegámos aqui? eleva-se a pergunta: como fugimos daqui antes que seja tarde demais?...

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