31/01/2015

||| sem pensar é mais fácil...


||| ... sempre me assustou a ausência de reflexão. da capacidade de pensar. de fazer ligações entre coisas, mesmo que erradas. mas tentar. transformámos a escola e o ensino num prêt-a-porter. onde os miúdos deixaram de lado a capacidade de co-relacionar coisas para terem que saber, apenas, como responder em série a um conjunto mais alargado de outras coisas. sem ligação aparente. como se tudo fosse mecânico. repetido. industrial. precisam de letras pequeninas depois das mais simples perguntar que as "descodifiquem". fomos pelo mais simples. simplificando o mais óbvio. dando modelos para tudo e mais alguma coisa. dando fichas com campos e palavras pré-determinadas para preencher. abandonámos a folha em branco. a exigência brutal de criar do zero, sempre. ou de retomar as coisas do ponto de onde já sabemos que a razão traz alguma luz onde assenta tudo o resto. e fizemos isso muito bem. tão bem que agora os miúdos só sabem pensar e fazer coisas tendo modelos para seguir. ou plataformas. ou sequências. apareceu o pavor do vazio. do fazer sem orientação. do livre arbítrio. o culto do medo do erro ou do desvio ao padrão ocupou o espaço do individual. da diferenciação. e ficámos mesmo muito bons nisto na escola. quem ensina, ganhou competências valiosas a ensinar assim. o resultado é simples. a folha em branco, assusta. apavora. qualquer miúdo. precisa de alguém que lhe diga o que lá escrever ou fazer. na folha em branco que é só uma folha em branco. e isso sim, é assustador. pelo menos para mim, que dou sempre e darei sempre folhas em branco aos meus alunos para pensarem o que lá querem colocar...

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