08/02/2015

||| da ditadura dos programas...


||| ... ó professor, isso não está no programa. pois não. nem tudo o que dou ou falo numa aula está no programa. ah... então não sai no teste. pode sair. sim, mas não interessa. não é preciso estudar, certo? não, errado. sim, professor mas não devia ensinar o que está no programa porque é isso que vai sair no exame. no dia em que eu ensinar só o que está no programa demito-me. sim, professor, mas estamos a perder tempo. estamos? e se fossem só os miúdos a dizer isto... uma visita de estudo, marcar. impossível se não estiver "integrada" no programa. e já nem é no programa. é no que sai no exame. esta ditadura impossível dos programas está a matar a aula. a lição, o pensamento. a capacidade simples de ensinar. é uma ditadura mais perigosa do que todas as outras porque é auto-regulada. imposta por quem ensina sobre os seus "colegas". não está no programa não pode existir. como se o mundo e a história e o conhecimento fossem só as coisas que cabem numa grelha feita há vários anos e que tudo fosse só uma resposta certa num espaço pré-definido cumprindo as regras ditadas. é isso que querem fazer destes miúdos. esses seres replicadores. e de nós, professores, autómatos que repetem o que o ditado manda. acho que se pudessem colocavam um gravador no lugar do professor e dispensavam os devaneios de quem quer ensinar para além do que alguém diz ser a verdade das coisas. e é assustador que sejam já, os miúdos, a auto-mutilarem o pensamento. e a sua liberdade de saber mais. é porque não é preciso. não é útil para a resposta. é nisto que a escola e a aprendizagem está resumida. é isto que é a escola numa política educativa castradora de toda e qualquer liberdade que não seja a escrita, com letras pequenas, num programa feito e refeito ao correr do tempo e do pensamento único. é contra isto que uma aula deve ser dada. em liberdade. sempre...

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