18/02/2015

||| dar cabo da escola...


||| ... resta pouco da escola. do que é uma escola. ao entrar num espaço de uma "mega" estrutura/organização escolar parece que estamos a entrar num centro comercial. painéis avisam de acontecimentos que ninguém já vê. outros são listas seguidas de contactos, horas para isto e para aquilo, "gabinetes" disto e daquilo. listas de "convocatórias" para reuniões e mais reuniões e mais reuniões. perdidas neste mar de folhas ficam "boas ideias". um clube de cinema. um projecto. os miúdos cruzam os corredores de "fónes" nos ouvidos. o som de tudo é ruidoso. mesmo do silêncio. há tudo em dimensão maior do que devia haver. e depois há o poder que agora parecer passar de mãos do "central" para o "local". por decreto. sem ninguém ser ouvido. dizendo que todos foram ouvidos. ouvir não é escutar e a democracia cada vez mais parece uma coisa que só dá uma trabalheira. tem que parecer que é cumprida. sem o ser. séria, sem já até parecer ser. a escola é agora este lugar. sem alma ou força. sem forma ou razão. e isto é um crime. foi um crime feito por estes que pensaram na escola como uma coisa. uma coisa que se pode gerir como uma outra coisa qualquer. onde as pessoas são valores. e os valores não são saber mas "metas" a atingir. a escola perdeu a linguagem limpa, clara, precisa. desapareceu o conhecimento. é tudo para "atingir". para "cumprir". e os corredores encheram-se de miúdos sem resposta. cheios de tudo o que os faz não parar nunca. nem que seja só andarem de um lado para o outro de mãos nos bolsos e de "gabinete em gabinete". a escola é um supermercado de coisas. de tempo em aula. a aprendizagem é um luxo reservado a poucos. os bons alunos já perderam o estatuto de estudantes e são aqueles que conseguem fazer cumprir as metas. tudo isto é um crime. e tudo isto terá um peso imenso numa geração futura que já é o presente. ver isto é ver o cansaço e o desinteresse de todos. ninguém escapa a esta escola onde já não se reconhece há tempo demais. e depois promulgam-se concursos, leis, transferências de poder. já não importa a ninguém. ninguém eleva a voz. ninguém diz não. estão quase todos vencidos. a morte da escola é uma realidade. e um crime. mas está aí. presente. neste tempo para estes miúdos. o pior, o pior mesmo, é que nunca tantos precisaram da escola como agora. e isso, é o maior crime de todos. negar tudo isso. por um negócio...

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