07/02/2015

||| a escola não é um lugar exigente...


||| ... os meus alunos sempre me acharam um professor exigente. soube no primeiro momento e sei sempre que sai, a um deles, a expressão: "fogo professor...". ou ficavam a olhar para mim com aquele ar de "não estou a perceber nada". e mesmo assim fui cedendo muito. ao longo dos anos. fui cedendo no que já era teimosia. não na essência. é que, não é no "falso rigor" ou por haver "exames" que se coloca a exigência na escola. ou como elemento estruturante do conhecimento. é quando, no decurso de um tempo, sabemos que o trabalho se une ao rigor e ao brio. que ensinámos isso e que podemos exigir isso aos nossos alunos. é esta cultura que falta na escola, hoje. se falta conhecimento, respeito, adequação e bom comportamento, também falta exigência. da verdadeira. não aquela que é mascarada como palavra para dizer de boca cheia mas que nunca se ensina ou pede depois nas diferentes circunstâncias de um processo em que aprender o como é tão importante como aprender o porquê. a escola não tem só como função responder aos "porquês". tem como função ensinar e demonstrar, guiar e criar os "como". a exigência é natural neste processo. e se não existir então estamos apenas a falar de cumprir. fogo professor, quer sempre mais. nunca nada está bem. eu não disse que não estava bem. disse que estava bem mas espero sempre melhor. esta coisa portuguesa do "está bom assim" não tem lugar na minha sala de aula. nunca está bom "assim". está bom e pode ficar melhor. exigir é ensinar. e esquecemos isto... infelizmente...

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