22/03/2015

||| as mãos não se tocam na escola...


||| ... foi a primeira vez que fui a uma escola dinamizar uma conversa partindo deste espaço. e ainda mais agora que tudo me custa ainda mais e que a realidade vivida é bem diferente e afastada de tudo. no final, uma professora esperou. gosto sempre das pessoas que ficam para o fim destas coisas para "falar". "gostava de lhe perguntar uma coisa. qual é a sua visão sobre o toque." a primeira coisa que me ocorreu foi o toque de horário. a campainha tipo fábrica do século dezanove. mas deixei a coisa seguir. sim, sou professora de educação física e quando peço aos miúdos [rapazes e raparigas, mas mais eles] para darem as mãos é uma carga dos trabalhos e de gozo". pensei um pouco. disse o que pensava. que esta geração de miúdos não foi criada no afecto físico. já é dessa geração. o abraço é uma coisa estranha. a ternura já é uma palavra em eclipse. estamos a caminhar para o contacto ascético e a presença sem afecto físico que se torne visível. basta um "oi" ao chegar e um "xau" ao sair. isso e o preconceito. ao contrário do que pensamos o racismo, a tolerância e a compreensão não são "bens sociais" permanentes. devem ser ensinados e mais do que isso, vividos na escola. tudo isto está ligado ao que me refere. a começar por nós, professores. que dizemos um distante olá para a sala de professores cheia ou que habitamos escolas onde nem sabemos bem onde os outros estão por tão grande dimensão de tudo. estamos a perder esse lado humano. e isso tem um peso imenso. eu nunca deixei de abraçar um aluno quando lhe queria dar os parabéns ou de dar dois beijos de cumprimento a quem quer que fosse. o exemplo é a melhor forma de ensinar a presença humana e a tolerância. porque o exemplo representa a civilidade conquistada. agradeceu-me a troca de ideias. fiquei a pensar nisto. ainda estou...

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