02/03/2015

||| ensinar o que está obsoleto...


||| ... tive um mestre que um dia me disse que um professor deve ser alguém capaz de olhar para além do futuro. mandou-me ler orwell. comecei com os animais, acabei por ler tudo. perceber o que me queria dizer. hoje a escola está cheia de passado. de coisas obsoletas. de ciência antiga e de sabedoria congelada. descobrir o futuro é coisa que não vem no programa. não obriga ninguém a saber mais. basta aquilo. aquilo que está em pontos. de a para b, de b para c. numa tabela qualquer. mais do que isso não é preciso. nem estar actualizado. se muda o programa vem logo acompanhado de uma "acção de formação" para "actualização". como se fosse um software qualquer a instalar na cabeça dos professores para ser, somente, replicado. pensar para além do futuro, como o mestre me dizia, parece utopia ou coisa de tontos. olhar para além disto, ainda mais. obedecer é um principio. a cumprir. a estupidez de todas as coisas nasce disto. e mais do que isso, já nem o saber é "livresco". às vezes é de uma pseudo-ciência que agora parece invadir tudo. a pressa, a ausência de tempo, o tempo roubado para "saber" faz o resto. os dados são "copiados". faltam as fontes. não se lê. é tudo citado. de parte incerta. o presente é uma manta de retalhos que alguém diz que tem que ser ensinado assim. do ponto a ao ponto b. o meu mestre deve ter fugido. o futuro que um dia conseguiu ver era este. cumprido agora em demasia. infelizmente. mas resta-me olhar para além do futuro que ele viu. e regressar a orwell e ao seu mundo. talvez esse, um dia, seja presente...

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