26/04/2015

||| palavras [im]perfeitas...

saramago

||| da biblioteca no tempo do espaço vazio...


||| ... há um espaço na escola, nas escolas, em muitas escolas, onde ainda se vive o que podia ser a nobre tarefa de ensinar. a biblioteca. uma ágora num espaço cada vez mais fechado ao pensamento livre. há os trabalhos para fazer. os computadores que por lá andam. mas o que define a biblioteca ainda são os livros. é um espaço semi-sagrado na escola. um depósito de esperança. se tivesse que definir o lugar por excelência na modernidade do que podia ser o ensino no futuro seria ali. naquele espaço que parece ser o mais antigo de todos, que iria buscar a forma e força para mudar tudo. porque está lá tudo. as ideias, os pensamentos, os livros, as palavras e a liberdade. que vivam para sempre, estes último redutos da inteligência na escola...

||| coisas [im]perfeitas...


||| leituras [im]perfeitas...


||| música [im]perfeita...

||| não sabem pensar, na escola...


||| ... foi mal feito o remendo. afinal, diz mais um estudo com resultados evidentes para quem está dentro da escola todos os dias, que eles não sabem. eles são os miúdos. eles são só miúdos. a geração do livro de instruções. que nem isso sabem ler. ou melhor, descodificar. são miúdos habituados a cumprir instruções. simples. não foram ensinados a resolver problemas. a pensar. a reflectir. a encontrar soluções. a descobrir curiosamente o mundo com o saber que podiam ter. andaram de mão em mão, do eduquês ao ensino pelo "mando". pelo "comando". como se fosse possível programar todos e cada um para parecerem que sabem por responderem certo. o problema está no saber ler a pergunta. isso ficou esquecido. por todos. aqueles dos discursos limpos e eficientes. aqueles do amor e da felicidade na escola. esqueceram-se que era preciso ensinar a compreender uma pergunta. e depois dizem-se espantados e ofendidos, surpreendidos e estupefactos com um estudo que diz que os miúdos, sim, eles, sabem menos. e não sabem pensar. estranho isto para tantos com tantas certezas absolutas. resta só isto. voltar a ensinar. que ler não é juntar palavras e que o conhecimento é fundamental para a compreensão. talvez seja uma corrente simples demais para seguir. será, talvez, necessário mais um estudo evidente daqui a uns tempos. brinquemos pois às escolas mais um pouco...

25/04/2015

||| palavras [im]perfeitas...

cesariny

||| a revolução que a escola espera...


||| ... se ainda houver esperança na escola é que haja uma profunda e imensa revolução. uma mudança efectiva. que a escola se transforme. que acolha o respeito, de novo, no seu interior e que o conhecimento seja a sua ferramenta de liberdade. que seja um espaço de futuro. que acolha e prepare. que seja útil e que promova a mudança social. que seja verdadeira fonte de transformação. que seja lugar de educação, saber e inclusão. que seja para todos. feita por todos. que seja lugar onde se lê, vê, cria e pensa. que seja um espaço onde se investiga. onde se pinta. brinca. e onde se deseje estar plenamente. que seja porto de abrigo. lugar seguro. que seja futuro antecipado. e presente elucidado. que vá buscar ao passado o que é preciso para perceber o hoje e o amanhã. e à ciência a certeza do que o dia seguinte pode trazer de novo. que cada pessoa seja um ideal. que cada ideia seja uma força imensa que tudo invada e tudo ilumine. que a escola seja o lugar do bem e do bom. se ainda houver lugar para a esperança numa revolução que seja a escola a sua casa e o seu lugar de partida. porque nada há de mais belo do que imaginar e fazer nascer um novo dia claro e limpo...

||| leituras [im]perfeitas...


||| música [im]perfeita...

||| coisas [im]perfeitas...


||| ensinar a liberdade na escola...


||| ... numa escola cercada por todos os lados pelos constrangimentos de regras, normas, orientações, metas e avaliações a única coisa que resta de esperança é mesmo ensinar que nada disso é preciso para se perceber e fazer cumprir a liberdade que abril abriu...

23/04/2015

||| arte [im]perfeita...

manet

||| do espaço da mente livre...


||| ... ó professor, não é verdade. as pessoas pensavam que a terra era plana e que terminava? eram mesmo estúpidos. ó mariana, o que é a estupidez? professor, é não saber qualquer coisa. isso não será ignorância, mariana? é a mesma coisa professor. não, não é. desconhecer qualquer coisa é normal. é até o que nos mantém vivos e curiosos mariana. é por isso que a escola existe. ó professor, lá está você. o que importa é que eram parvos de pensar assim. mas mariana, tu sabes tudo? e se alguém agora viesse dizer que afinal a terra era cilíndrica e com provas científicas de tal facto. serias ignorante? estúpida? parva? acreditar numa coisa sem a questionar é sempre o mais perigoso. fogo professor já me deu um nó na cabeça. eu sei mariana, foi de propósito. fogo professor, agora vou ficar a pensar nisto. está bem. ainda bem. e assim dei uma aula em cinco minutos encostado a uma parede enquanto esperava um café...

||| leituras [im]perfeitas...


||| coisas [im]perfeitas...


||| música [im]perfeita...

||| dos discursos sobre educação...


||| ... são textos, leituras, citações. diz-se que o estudo x deu o resultado tal. fala-se das experiências na noruega mas não se consegue falar da escola do bairro ali ao lado. ou só se consegue se for um projecto que vai partilhar "boas práticas". a educação e a escola está orfã de reflexão sobre cada realidade comunitária, local e feita das pessoas e com as pessoas que fazem todos os dias a escola. disseram, vezes sem conta, a cada um dos elementos fundamentais que habitam a escola, a cada uma das pessoas, que precisavam de especialistas, de quem sabe, dos sábios, dos tais que falam de tudo sem saber do que falam ou do que cada pessoa em cada escola, de que cada professor em cada sala de aula, sabe ser a sua realidade todos os dias. são os oráculos de um futuro que não é deles e que é vivido por cada pessoa no dia seguinte. a educação e a escola está cheio destas figuras. mas o que falta, verdadeiramente, é só tempo para parar, sentar todos e cada um que fazem a escola todos os dias e fazer perguntas para obter respostas em conjunto. úteis, válidas. reais...

21/04/2015

||| arte [im]perfeita...

sebastião salgado

||| as obscuras listas de ordenação...


||| ... em resumo: foram tantos os erros, os lapsos, as alterações, as mudanças das regras a meio do jogo, as batotas e coisas que tais que as listas e os concursos de professores para vagas que nem existem estão feridos de morte. era preciso fazer um reset de tudo. mas até isso seria injusto...

||| coisas [im]perfeitas...


||| música [im]perfeito...

||| leituras [im]perfeitas...


||| há cada vezes menos de tudo na escola...


||| há cada vez menos bondade na escola. menos ternura. menos compreensão. menos saber. menos colaboração. menos respeito. menos conhecimento. menos dedicação. menos brio. menos presença. menos objectivos. menos identidade. menos força. menos compreensão. menos espaço. menos tempo. menos lógica. menos escola...

20/04/2015

||| arte [im]perfeita...

picasso

||| o sucesso na escola...


||| andamos esquecidos disto. sabemos que é preciso [mesmo que por meios artificiais] combater o abandono escolar. e o insucesso. dão-se horas intermináveis a mais a várias disciplinas. apoios. gabinetes. metas. pistas. dicas. actividades, clubes, fichas de trabalho. apoio individualizado. apoio colectivo. horas de estudo. horas de biblioteca. trabalhos de investigação. tudo para combater o insucesso. mas se alguém faz uma pergunta numa reunião que reza assim: "ok, mas e qual é o objectivo de sucesso desta escola para este ano?", então o silêncio impera. ninguém sabe que sucesso quer para a sua escola. se é por nota [o mais vulgar e acarinhado pelo sistema no tempo que corre], se é pela recuperação de projectos ou pela "disseminação de boas práticas". se não sabemos que sucesso temos ou queremos para a nossa escola não sabemos certamente o que queremos para o insucesso que não seja não deixar de ver os alunos pela escola num tempo em que são "obrigados" a lá andarem. tudo isto é tão sinistro e tão estranho que na mesma escola parecem viver uma espécie de dr jekyll & mr hyde. saber que sucesso queremos, que qualidade, que objectivos, que forma desejamos para o sucesso na nossa escola começa na nossa sala de aula. saber isto é o maior princípio de mudança que pode ter lugar num tempo que tudo é só definido por um valor. a nota não é, nem nunca será medida de sucesso. mas nisso ninguém pensa...

||| música [im]perfeita...

||| leituras [im]perfeitas...


||| coisas [im]perfeitas...





||| a escola enquanto referência...


||| ... a pior coisa que estes anos de governação tiraram aos professores foi tempo. a pior coisa que estes anos de governação e esta equipa ministerial, assim como outras que lhe antecederam, roubaram à escola, foi o sentido de referência. este não foi nem nunca será um espaço político. e estas considerações não o são também. são uma constatação preocupada. não está em causa a existência ou inexistência de referências e valores na escola. o que destaco é mesmo a perda, quase total, da ideia da escola enquanto lugar de referência. em si mesmo. pelo valor de dar uma construção individual. de forma gente. pessoas. cidadãos. seres dotados de regras e sentido de convivência, com um rumo e um objectivo de vida. para muitos a escola é o único lugar onde essa réstia de esperança é depositada. agora já quase nem isso. a escola, não sendo esse elemento de construção do ser humano perdeu completamente o lugar de validade social para apoiar, verdadeiramente, a construção global do individuo. e uma sociedade que permite que a escola perca esse espaço de referência é uma sociedade doente. o primeiro passo para voltar o sentido universal de escola é recuperar essa força única que tem a identidade de uma organização ajudar a formar os homens e mulheres de amanhã dando-lhes força e balizas intelectuais para enfrentarem o inesperado futuro. é ter uma escola que é uma referência para todos...

17/04/2015

||| arte [im]perfeita...


||| fazer sentido...


||| ... que sentido faz uma escola quando esta não faz sentido a tanta gente? que responde mal ao mundo que ainda está por existir. que não consegue dar resposta a um "mercado" em mudança. esta pergunta devia estar num placard na sala de professores. e todos os dias devia haver uma nova resposta. só questionando a escola que temos e pensando, verdadeiramente a escola que queremos, podemos dar sentido a uma coisa que se mostra essencial para tantos: o que deve ser a escola e que sentido de seguir/fazer nestes tempos de tanta volatilidade e mudança. que sentido faz a escola, hoje? e qual deve fazer. seria importante, antes de tudo o resto, responder a isto. porque disso depende a sua razão de existir e o seu modelo de organização. sem isso, a escola é só uma organização. sem sentido...

||| música [im]perfeita...

||| leituras [im]perfeitas...


||| coisas [im]perfeitas...


||| perceber a realidade na escola...


||| ... se tal fosse possível, seria verdadeiramente espantoso separar a escola de papel da escola real. há uma escola, efectivamente, de papel. a lembrar os antigos anúncios das páginas amarelas. e cada vez mais é assim. uma legitimação estranha de coisas por fazer mas assinaladas como tal. num vai e vem de documentos inúteis e cheios de decisões por tomar e medidas por fazer mas registadas. tudo registado. se fosse possível cruzar a realidade com esta ficção de papel a escola desapareceria. ou apareceria uma nota de rodapé a dizer que são duas realidades completamente diferentes. legitimada pela inutilidade a escola de papel parece manter tudo na ordem do dia e ocupar tudo e todos descansado os demais das coisas que realmente faltam fazer. nesta ilusão, continuamos. de cruz em cruz, no papel. e na realidade...

15/04/2015

||| arte [im]perfeita...

júlio pomar

||| da violência na escola...


||| ... custa pensar e ver que o último lugar seguro é agora um lugar onde começa a violência a instalar-se. a escola. passar por dois miúdos que se agarram em brincadeiras mais físicas sempre aconteceu. era preciso parar e dizer: é pá, isto é a escola, aqui não. nem aqui nem em nenhum lado. ensinar os valores de conviver. de estar no espaço comum. agora são os estudos. da violência no namoro à violência na escola. entre miúdos. com o grau de brutalidade superior ao que devia, de todo, ser permitido. a escola não tem respostas adequadas para nada disto. os "processos" são coisas obsoletas e inúteis e só servem para ferir de morte a identidade da escola enquanto comunidade. o "lavar de mãos" de todos os que podiam actuar é evidente. o cansaço não ajuda. o desânimo também não. mas o "fechar de olhos" é pior do que tudo o resto. sobre a violência na escola, tenha ela que forma tiver, a tolerância tem que ser zero. e tudo começa por todos aqueles que se desligaram de cumprir a sua função de mediar as relações de todos com todos. a começar pelos professores e a terminar em quem educa em casa. não se consegue travar isto se não estiver o exemplo como modelo de referência a cumprir. é preciso parar num corredor e dizer: isso não se faz. nem aqui, nem em lugar nenhum. mesmo que isso seja aborrecido de fazer. pior é a consequência de não actuar. na escola, não pode existir inoperância e não actuação quando falamos de actos violentos. o risco é demasiado grande para que nada se faça, novamente...


||| música [im]perfeita...

||| leituras [im]perfeitas...


||| eis que regressa a mudança...


||| ... de tempos a tempos, quais aves raras, regressam. fazem ecos em manchetes de jornais. ex-ministros. a pedir ou a dizer que é preciso mudar. melhorar é sempre a desculpa. mas mudar. são ecos ou sons vindos de todos os lados. perceber que o que fizeram levou a isto deve ser complexo. ou talvez não perceber. e como tal, mudar tudo outra vez. se há coisa de que a educação padece é de continuidade e coerência. a mudança deve acontecer quando os resultados precisam, de facto, de ser melhorados. o experimentalismo que sofremos nos últimos anos, dez ou mais, tem levado a que a escola desapareça. seja tudo menos escola. perceber isso deve ser complexo para quem teve, de facto, o poder de melhorar as coisas. mas eis que regressam. em num coro de velhos sentados no banco de jardim a dar palpites para sobre uma realidade que, de facto, nunca conheceram. do oitavo andar de um prédio alto tudo é muito relativo e muito pequeno. mais quando só se sai de lá para espaços preparados para os acolher e mascarar tudo o que realmente acontece ou aconteceu. de tempos a tempos estes ecos ocorrem e rompem o silêncio. a sorte ou o azar é que, pouco tempo depois, tudo volta ao mesmo...

14/04/2015

||| arte [im]perfeita...

botticelli

||| é ordinário, a escola como lugar comum...


||| ... o colega não cumpriu o planificado. o tempo. as aulas. as fichas para preencher. os sumários. as notas. os rodapés das notas. as notas de rodapé. os programas. em história são quatro ou cinco séculos. ou milhares de anos, em dois meses, três meses. é impossível. não pode ser impossível. tem que se cumprir. não tem nada. não cai nem carmo nem trindade. importa que percebam. já ninguém diz isto. isso já não importa nada. mesmo nada. importa que respondam. mas cumpriu ou não cumpriu o programa. é que tem que estar tudo dado até ao exame. tem mesmo que ser. nem que seja a martelo. ou só escrito no sumário porque não há tempo para tudo e eles são miúdos e precisam de falar de coisas que não estão no programa. mas isso não pode ser. eles falaram. nem um pio. é mesmo só ouvir. e fazer fichas. os que não vão a exame não tem mal. esses, desgraçados, até podem aprender. os outros é mesmo em fila, em modelo de enlatado. em série. mas e o programa? isso sim, isso é que importa. cumprir o programa. todo. as metas. todas. é tudo de uma loucura tão grande que só se pode desejar algum sofrimento a quem criou isto tudo. e depois há a miúda que vem dizer que precisa falar comigo porque a mãe está desempregada e já não sabe o que fazer. nem ela. nem a mãe. mas isso não está no programa. não importa, portanto. são só ecos. o que importa é cumprir aquilo tudo. nem que seja nos sumários. para parecer bem. a culpa assim é do sistema. mas não é. é nossa que permitimos tudo isto. não deixará de ser nossa. nunca...

||| música [im]perfeita...

||| leituras [im]perfeitas...


||| de gostar de estar na escola...


||| ... tenho saudades de gostar de estar na escola. esta frase é imensa. um sentimento imenso. tenho até saudades da escola. da escola ser escola. agora é um espaço onde se vai. estar na escola é um exercício cada vez mais raro. é um local onde se vai. onde se tem que ir. perdeu-se a noção de escola enquanto espaço ocupado pela única coisa que faz sentido. gostar de estar ali. por um conversa. por um projecto. por um desafio. por um apoio. as salas de professores parecem corredores. os corredores parecem armazéns de carga e descarga e tudo passou a ter um sentido de uso. de utilidade. o prazer foi proscrito. o ócio também. tudo é transformado em algo para fazer. o não fazer nada e só estar ali, num espaço que é a escola e que é de todos, deixou de existir. tenho saudades de gostar de estar na escola. é estranho. mas é mesmo isso...

11/04/2015

||| palavras [im]perfeitas...

mia couto

||| da diferença ...


||| ... chegou por email. ó professor, temos saudades suas. precisava de uma ajuda. preciso falar da diferença na escola e não sei por onde começar. como você é bom com ideias diferentes pensei em si. ajuda-me. respondi. olá! saudades vossas também! ora sobre diferença. aposto que os teus colegas vão falar de tudo o que já se falou. eu diria que podias fazer uma coisa diferente. pensa na diferença como média. e na normalidade como média. nos estereótipos da diferença. faz um questionário. pergunta o que é ser diferente, hoje. aposto que já ninguém sabe. com tanta tolerância e integração. ou então temos todos a mesma ideia de diferença. as deficiências. as raças. as origens. os modelos sociais. os grupos. mas o que falamos quando falamos de diferença? ou de normalidade. resposta: fogo professor, dá cada ideia. realmente a professora disse para fazermos um inquérito. mas era sobre os tópicos feitos. realmente. já nem sabemos do que andamos a falar. resposta minha: boa sorte. é um desafio. depois, digam-me o que é normal e o que é diferente na escola de hoje. eu escrevo no blog os vossos resultados. será giro ver o que dá. aguardo a resposta...

||| música [im]perfeita...

||| leituras [im]perfeitas...



||| do tempos de todos na escola...


||| ... as notícias e os comentários às vezes cercam a realidade de tal forma que o que alguém ligado às coisas da educação já só consegue ver é um só lado da questão. os miúdos passam tempo a mais na escola. não. os miúdos passam é pouco tempo com os educadores [pais ou outros]. ou com os amigos. e ao mesmo tempo, os professores também passam tempo a mais na escola. porque é por os professores passarem tanto tempo na escola em aulas e em mais mil actividades que, consequentemente, eles, os miúdos também passam. é também por isso que os professores passam tempo a mais longe das suas casas. e longe do tempo para o estudo. para o ócio. para o deslumbre. para a arte. para a ciência. para a investigação. e são, por isso, cada vez menos professores e cada vez mais funcionários educativos. tudo e todos ocupados no tempo e no espaço com igual problema. tempo a mais de escola. tempo a mais na escola. tempo a mais num estado de ocupação para cumprir calendário e se poder falar em "investimento" em educação. é preciso olhar por todos os ângulos para ver que todos estão, tempo a mais, na escola. e a escola essa, deixa de o ser para ser o espaço onde tudo está, agora, a mais...

10/04/2015

||| palavras [im]perfeitas...

cesariny

||| a geração cega, na escola...


||| ... "o pior cego é aquele que não quer ver." não. o pior cego é aquele a quem nunca ensinaram a ver e por isso não consegue saber que podia ver. fixei a expressão: geração de viveiro. miúdos que entraram para a "creche" aos três meses e agora estão obrigados a doze anos de escola e que começam a chegar às "mãos" de todos os professores. miúdos que não conhecem nada para além do "sistema" e do que o "sistema" lhes dá ou retira. que, por "orientações" e "directrizes" não podem fazer uma visita de estudo porque a escola não tem dinheiro. que não sabem estar numa "palestra" porque nunca ouviram alguém falar sem ser para lhes dar ordens de comando simples. para quem pensar é um exercício desconhecido. são fruto de um sistema que inventámos para criar uma sociedade "melhor". ninguém pensa nisto. hoje dei por mim a pensar nisto. nesta geração. neles. que nunca saíram do sistema ou que não sabem viver sem ele. fiquei a pensar nisto. que nem na escola se livram da privação da liberdade que só o pensamento livre permite. porque lhes é negado o conhecimento. cheios de informação, sem conhecimento. estão em perfeita harmonia com o sistema. ligados pelo umbigo a tudo isso que os "gere". e a escola está transformada no maior instrumento de "ocupação" destes miúdos. na perfeita representação desse mundo que lhes [e nos] disseram ser "melhor". mas será? não. não é. infelizmente para todos...

||| leituras [im]perfeitas...


||| música [im]perfeita...

||| vender a educação...


||| ... quando se "vendem" certificações na escola pública tudo é mais preocupante. sejam de cambridge. seja da microsoft. seja do que puder ser vendido como "referência". e quando se "obriga" um professor a ser um comercial de tudo isto tudo isto está imensamente errado. quem devia dizer não seriam os alunos. também. nada mais tenho a dizer sobre isto. porque tudo isto tem um lugar certo: fora da escola.

08/04/2015

||| arte [im]perfeita...

matisse

||| não passam. ou passam todos...


||| ... é quase como se fosse um jogo. com tantas negativas vais chumbar. passam todos, no fim passam todos. ó pá, tive oito negativas mas também já desisti disto tudo. é que no fim, é preciso justificar. passam todos. se não estudarem ficam mesmo retidos. ficam o quê? retidos. não passam. passam todos. vais ver. no final passa tudo. e não temos bem a noção disto. destas conversas. desta ideia. do que antes era chumbo, passou a passar, transitar, reter e mais umas derivantes curiosas e as demais que a imaginação consegue ou não criar. depois é o preço. quanto custa um chumbo. e depois que é pior para as almas jovens. faz mal. e depois o contexto. é do contexto. ou a pena, mais rara, rematada sempre por: mas até é um bom miúdo. ou a pressão para alguém "levantar" a nota. vencido pelo cansaço da ideia que a coisa não anda nem desanda, levanta-se a nota. ou não. a resistência mostra coerência. e eles, os miúdos, comparar nível negativos. tiveste quantos? cinco. só? comparado com os oito é pouco. alguns levaram uma reprimenda por uma negativa a matemática ou física. mas agora é para trabalhar. o outros é para desistir. estão todos chumbados. mesmo que não estejam. e andamos nisto. tipo avestruz. tipo conversa de loucos. na mesma escola. na mesma sala. no mesmo espaço. por mais estranho que tal possa parecer...

||| música [im]perfeita...

||| leituras [im]perfeitas...








||| permissão, tolerância e respeito na escola...


||| ... o pensamento vai parar a uma coisa muito simples. a escola devia mesmo fazer um processo de simplificação e limpeza das coisas complexas e tentar [re]descobrir o simples. a verdade é que durante muito tempo se confundiu permissão com tolerância e tolerância com respeito. tudo isto ganhou uma dimensão inadmissivel nos dias de hoje em quase todas as escolas. tolerar não é permitir. nem respeitar é ser tolerante. primeiro, tolerar exige sempre conhecimento e reflexão. permitir exige responsabilização. e respeito é o elemento essencial da convivência e existência, de facto, dos outros elementos. a escola misturou e deturpou isto tudo com a ideia que a todos tudo é permitido. ou que há que tolerar tudo em nome de uma pertença harmonia de "valores" ou de inclusão. abusou-se de tudo isto e o resultado é simples. nenhuma das coisas tem o valor que devia. talvez seja necessário pensar nisto e nessa necessária recolocação das coisas no seu devido lugar.  a escola precisa dessa clarificação. nem que seja começar pelos mais simples acto diários. talvez seja isso mesmo o necessário. simplesmente...