14/04/2015

||| é ordinário, a escola como lugar comum...


||| ... o colega não cumpriu o planificado. o tempo. as aulas. as fichas para preencher. os sumários. as notas. os rodapés das notas. as notas de rodapé. os programas. em história são quatro ou cinco séculos. ou milhares de anos, em dois meses, três meses. é impossível. não pode ser impossível. tem que se cumprir. não tem nada. não cai nem carmo nem trindade. importa que percebam. já ninguém diz isto. isso já não importa nada. mesmo nada. importa que respondam. mas cumpriu ou não cumpriu o programa. é que tem que estar tudo dado até ao exame. tem mesmo que ser. nem que seja a martelo. ou só escrito no sumário porque não há tempo para tudo e eles são miúdos e precisam de falar de coisas que não estão no programa. mas isso não pode ser. eles falaram. nem um pio. é mesmo só ouvir. e fazer fichas. os que não vão a exame não tem mal. esses, desgraçados, até podem aprender. os outros é mesmo em fila, em modelo de enlatado. em série. mas e o programa? isso sim, isso é que importa. cumprir o programa. todo. as metas. todas. é tudo de uma loucura tão grande que só se pode desejar algum sofrimento a quem criou isto tudo. e depois há a miúda que vem dizer que precisa falar comigo porque a mãe está desempregada e já não sabe o que fazer. nem ela. nem a mãe. mas isso não está no programa. não importa, portanto. são só ecos. o que importa é cumprir aquilo tudo. nem que seja nos sumários. para parecer bem. a culpa assim é do sistema. mas não é. é nossa que permitimos tudo isto. não deixará de ser nossa. nunca...

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