17/05/2015

||| não se ensina a falar na escola...


||| ... estava a ver a "entrevista" do jovem agredido na figueira da foz. para além de tudo o que me custou mais foi ouvir aquele rapaz a falar. sim, o acto em si. a expressão de uma emoção, a descrição de uma acto, o que quer que seja limita-se a um "foi tipo assim" que qualquer professor está habituado a ouvir nos corredores da escola. é verdadeiramente assustador o limite imposto pela falta de vocabulário que hoje há nesta geração de miúdos. o rapaz, até se conseguiu explicar. mas há aqueles que não o conseguem já. já ninguém pára para dizer: diz-se assim. isto tem a designação de. passou tudo a ser "tipo isto ou tipo aquilo". o próprio som das palavras é adulterado pela forma de expressão. sempre não justificada e atrapalhada. passámos do bué para outras coisas que não se compreendem. porque não são compostas. porque não explicam. porque são a ausência de significado em si mesmas. porque ninguém fala com eles, para eles, explicando. traduzindo a realidade. as coisas são só coisas e não possuem um nome. são coisas. como todas as outras coisas que existem. tipo. de um tipo. uma geração que não sabe falar não sabe pensar. não conhece o mundo. nem a si mesma. todo o limite da educação está aqui. no seu princípio e no seu fim. se não for, tudo isto, ultrapassado, o mundo perderá sentido. como se vê, pelos actos. ensinar a falar, ensinar as palavras, ensinar o sentido das coisas é preciso. é, mesmo, urgente...

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