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14/05/2015

||| poesia na sala de aula...


||| ... hoje apetecia-me dar uma aula. estar numa sala de aula. colocar uma folha em branco em cada lugar dos alunos. escrever no quadro o poema. esperar pelos miúdos entrarem. deixar ler o poema. apagar. escrever: e que mais é preciso? e mais nada...

É preciso casar João,
é preciso suportar Antônio,
é preciso odiar Melquíades
é preciso substituir nós todos.

É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana

É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbado,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores.

É preciso viver com os homens
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar O FIM DO MUNDO.


Carlos Drummond de Andrade

23/04/2015

||| do espaço da mente livre...


||| ... ó professor, não é verdade. as pessoas pensavam que a terra era plana e que terminava? eram mesmo estúpidos. ó mariana, o que é a estupidez? professor, é não saber qualquer coisa. isso não será ignorância, mariana? é a mesma coisa professor. não, não é. desconhecer qualquer coisa é normal. é até o que nos mantém vivos e curiosos mariana. é por isso que a escola existe. ó professor, lá está você. o que importa é que eram parvos de pensar assim. mas mariana, tu sabes tudo? e se alguém agora viesse dizer que afinal a terra era cilíndrica e com provas científicas de tal facto. serias ignorante? estúpida? parva? acreditar numa coisa sem a questionar é sempre o mais perigoso. fogo professor já me deu um nó na cabeça. eu sei mariana, foi de propósito. fogo professor, agora vou ficar a pensar nisto. está bem. ainda bem. e assim dei uma aula em cinco minutos encostado a uma parede enquanto esperava um café...

23/09/2014

||| uma aula para [r]ensinar as palavras...


||| ... pedagogia: a construção e utilização de um vocabulário rico e explicativo/ilustrativo é determinante para a aprendizagem científica, assim como, para o desenvolvimento do conhecimento sobre o mundo. a lógica desta aula é exactamente o de explorar pedagogicamente a palavra como instrumento de aprendizagem.

||| ... metodologia: o professor preparar previamente um conjunto de imagens [6 a 12] com objectos ou espaços imaginários. [podem ser retirados de um filme de ficção científica ou de uma produção de autor/artista]. no início da aula o professor escreve um conjunto de conceitos/termos/palavras de difícil interpretação pelos alunos [depende do grau e do nível]. distribui depois um jornal por mesa [um jornal/dois alunos] , cola e uma tesoura por mesa. projectava a imagem pede aos alunos para recortarem partes de palavras, letras ou similar que formem uma palavra inventada. no entanto, terão que ser capazes de explicar a composição da palavra criada. com a imagem projectada pede aos alunos que digam as palavras criadas e as expliquem por ordem, assim como, a sua composição. pode criar um mural de "novas" palavras e seus significados. no final, revela a formação das palavras que tinha colocado no início da aula para análise e explica a sua composição. podem, os alunos, criarem ainda um texto final com as palavras inventadas.

||| ... esta aula é sobre: a utilização do processo criativo para a percepção da composição das palavras para apropriação do seu significado. o uso de novos conceitos/termos/palavras permite uma melhor percepção do conhecimento e da realidade, bem como, valoriza a apropriação de mais rico e esclarecedor vocabulário.

17/09/2014

||| aula dois, ou a construção de algo...


||| ... pedagogia: a construção de uma lógica de turma, de grupo, de confiança e segurança é fundamental para o trabalho em contexto de sala de aula, assim como, para preparar os alunos para desafios individuais e colectivos a realizar ao longo do ano. nesta aula a lógica da interacção pedagógica é essencial para a dinâmica construtiva de elementos comuns necessários à construção colaborativa do conhecimento para desafios futuros.

||| ... metodologia: esta é uma dinâmica que exige alguma preparação inicial por parte do professor. o exercício tem a duração máxima de cinquenta minutos. o professor deve arranjar quinze vendas para os olhos [para trinta alunos], um balde e giz. a aula decorre no exterior em espaços comuns e termina na sala de aula. num espaço comum [recreio, pátio, etc...] o professor diz aos alunos para se colocarem em pares e em fila indiana. a ideia da fila indiana remonta ao principio de auxilio mútuo e confiança. e será isso que se explorará com esta dinâmica. dois a dois e em fila, o professor distribui uma venda a cada par de alunos pedido para um colocar a venda. o outro deverá guiar o parceiro numa caminhada que é liderada pelo professor em passo lento e cadenciado. feita esta primeira caminhada, trocam os pares e repetem. devem depois fazer a mesma coisa, repetindo o caminho mas com o par apenas a tocar no ombro do parceiro para o guiar, tocando do lado direito para virar para a direita e do lado esquerdo para virar para a esquerda. repetem o caminho. findo isto, o professor traça no chão um linha com o giz fazendo um caminho com uma distância razoável. poderá e deverá ter curvas e uma lógica de caminho determinado com princípio e fim. coloca o giz que resta no balde e dá ao primeiro aluno na fila que deverá caminhar de costas sobre a linha guiando o parceiro apenas com o som do giz a bater no balde ao chocalhar este. chegando ao fim da linha passa o balde ao colega até conseguirem todos terminar o percurso. findo isto está terminada a aula. geralmente faço mais uma actividade ainda com estes recursos. à porta da sala coloco os alunos todos de olhos vendados e digo que devem entrar na sala, fazendo o menor barulho possível, sentando-se numa cadeira. repetem até haver o menor número de ruído possível. este é daquelas actividades em que o professor terá que demonstrar abertura e boa gestão dos comportamentos mas cujo resultado é mais importante do que pode parecer no final da sua realização.

||| ... esta aula é sobre: as relações e a formação do espírito de turma, assim como, a gestão dos comportamento por via da observação directa/experimentação. tem como base uma aprendizagem em contexto participada, reportando a uma lógica de confiança e segurança no e em grupo/turma.

10/09/2014

||| a primeira aula. como a primeira impressão...


||| ... pedagogia: determinante para a relação professor-aluno, a primeira aula marca a forma e as regras de co-relação para professores e alunos e para os alunos enquanto turma. esta é uma forma de co-construir essa relação num primeiro passo estratégico assente na confiança e respeito individual e colectivo.

||| ... metodologia: esta é uma aula que exige preparação prévia por parte do professor e que o mesmo realize, ao mesmo tempo que os alunos, todas as actividades. na sala é colocada uma tira de papel de cenário com três a quatro metros numa parede. o professor deve ter consigo marcadores para papel ou carvão para desenho. distribui, antes da entrada dos alunos, pelas mesas, duas a três folhas de papel de jornal, uma tesoura, cola de papel e uma cópia, por mesa, dos primeiros artigos da constituição portuguesa. após a entrada dos alunos, sem fazer a chamada ou a sua apresentação, o professor pede aos alunos para irem à folha de papel de cenário escrever o seu nome. voltam a sentar-se e o professor pede aos alunos que recortem o papel de jornal com a forma da sua mão direita. relembro que o professor faz todas as actividades como os alunos. depois de recortados os jornais os alunos vão colar à folha de papel de cenário as "mãos" recortadas espalhando-as de forma aleatória. feita esta parte da aula, o professor pede aos alunos para se apresentarem dizendo o nome. terminada esta apresentação, o professor pede a um aluno para ler o primeiro artigo da constituição portuguesa. e pede a outro aluno que vá escrever, em letras grandes, o mesmo artigo "serpenteando" as mãos e os nomes. terminado esse registo, diz aos alunos que vão ter, em conjunto, que definir uma única regra para as suas aulas. registando no quadro as ideias ajuda a formular o princípio/regra final. esta regra deverá ser escrita, também, no papel de cenário. depois de concluído todo este conjunto de actividades, o professor pede aos alunos para se levantarem das mesas e irem colocar a sua mão direita no local onde colaram o recorte de jornal. apresenta assim o fim da aula, referindo que os alunos, estão agora "ligados" a uma regra que terá validade para todo o ano lectivo. construída por todos e em que cada um se compromete colocando a sua mão como prova e "assinatura". 

||| ... esta aula tem como tema: a co-construção da relação pedagógica pelo comprometimento individual e colectivo. esta aula é uma forma diferente e criativa de apelar ao envolvimento dos alunos pela decisão colectiva e pela valorização do comprometimento individual. é também uma forma para o professor conhecer cada aluno numa relação de construção de uma actividade, assim como, das suas capacidades e conhecimento iniciais. 

09/06/2014

||| a última aula ou um teste final...


||| ... há muitos anos que a minha última aula com os meus alunos é sempre igual. e por isso, sempre diferente. para quem arriscar aqui fica como se processa:

... começa a aula com a sala preparada. como se fosse para exame. mas em cada mesa uma só folha de papel normal cortada ao meio e um lápis. na "mesa do professor" uma caixa preta com uma ranhura no meio. tipo urna de voto [urna para voto é sempre uma junção curiosa, mas isso dava uma tese]. os alunos entram na sala e o professor diz. hoje é a última aula. podem escrever uma única pergunta que queiram que eu responda sobre mim como professor ou sobre o que aprendemos ao longo do ano. não escrevem o nome pois é anónimo. terão cinco minutos para elaborar a pergunta e depois a colocarem aqui, na urna das perguntas. irei responder depois, uma a uma. perguntem o que sempre quiseram perguntar mas nunca tiveram coragem para o fazer. ou simplesmente o que ainda resta de curioso para saber. e assim é esta última aula. uma conversa. em torno das perguntas. e das respostas. digo sempre que nenhuma pergunta é "atrevida". as respostas é que o podem ser. por isso partilho aqui três:

... o professor acredita em Deus?
resposta: sou um homem de fé. já religioso não o poderia dizer que sim. um dia um político que já ouviram falar, mário soares, perante a mesma pergunta respondeu não ter a sorte de ter fé. eu tenho essa sorte. o pior é o resto. são os rituais que associamos à fé. há coisas no islamismo com que concordo, coisas no catolicismo com que concordo, coisas no budismo com que concordo. é o que dá estudar as coisas. mas isso dava um ano lectivo para responder... 

... porque é que o professor nunca tira fotografias nas visitas de estudo?
resposta: essa é simples. quero ver. quero guardar na minha memória e não na da máquina. vocês nunca vão perceber isso na plenitude pois vivem na "share life". partilham o que vivem. eu guardo o que vivo. e acho mesmo que deviam pensar e aprender o valor da intimidade. falámos de orwell uma vez, nas aulas. já leram? não, claro. mas um dia, talvez, percebam que esta ideia do guardar é tão importante como partilhar. tiro fotografias de outras coisas. noutros momentos. partilho também, como sabem. mas gosto de ver. e de guardar no meu "disco". porque há memórias e imagens que são mais do que isso. são lições. e com elas preparo aulas, conversas, textos e outras coisas.

... o que é que o professor mais gosta de fazer quando não está a dar aulas?
resposta. gostava e gosto muito de ler. agora o tempo é menor e por isso não leio tanto. passo os olhos em algumas coisas. gosto de pensar. sim, pensar. não estranhem tanto. é importante pensar as coisas. perguntar a nós mesmos a razão das coisas. a lógica do nosso pensamento. ouvir e pensar. é talvez o que mais gosto de fazer. em silêncio. porque só pensando podemos compreender o mundo. 

... e pronto. se tiver coragem, arrisque uma última aula assim. nada, nunca mais, será como antes...

12/05/2014

||| uma aula na idade média...

 
||| ... pedagogia: dar sentido, significado, percepcionar um tempo que é tão longínquo como a memória colectiva histórica, assim como, desmistificar as visões contemporâneas mais "comerciais" do que foi a idade média é uma evidência pedagógica necessária central no papel do professor de história nos tempos que correm.
 
||| ... metodologia: esta aula foi experimentada numa turma do décimo ano, para noventa minutos, no máximo de trinta alunos. o professor começa por preparar a sala: tapa as janelas (deve obter na sala a maior escuridão possível). precisa de cinco ou seis velas pequenas, incenso com aroma de lavanda ou alecrim, papel de cenário e carvão para desenho. a sala deve ainda ser preparada colocando as cadeiras em cima das mesas com os pés para cima criando a ideia de uma "floresta" de cadeiras. os alunos são convidados a entrar na sala quando o cheiro do incenso se começa a espalhar pelo espaço e às escuras estando apenas uma vela acesa que está na posse do professor. o professor faz um enquadramento teórico e explicativo [o mais imersivo possível] partindo da descrição da vida quotidiana vs vida religiosa na idade média, numa aldeia exemplo. divide depois os alunos por grupos [quatro ou cinco] que serão habitantes de uma aldeia. cada grupo, uma aldeia. com cada elemento a ter um papel. senhor, trabalhador, monge, bruxa, etc... o professor pede depois aos alunos para imaginarem uma caminhada por uma floresta, sem luz, mostrando o imaginário medieval/clássico dos monstros e seres que eram descritos à época [ver liber monstrorum]. distribui uma vela a cada grupo e o carvão para desenho. previamente o professor colou o papel de cenário na parede cobrindo uma área que permita aos grupos desenharam os monstros ou seres imaginários que conseguem criar no espaço de tempo de vinte a vinte e cinco minutos. o alunos vão até esse "mural" e desenham, em grupos de três, iluminados apenas pela vela, os seres criados. no final deste tempo o professor convida os alunos a voltarem a sentar-se [no chão onde estão desde o início] e a criarem um mosteiro para a sua aldeia. este mosteiro terá que ter regras [que os alunos definem em grupo], assim como, devem ter hábitos próprios [que os alunos devem desenhar e criar]. estes hábitos podem respeitar trajes da altura ou serem criações imaginadas. o professor faz o enquadramento teórico sobre o clero regular para melhor compreensão pelos alunos. por fim, os alunos são convidados a desenhar os monges e sua forma de vestir no mesmo espaço onde desenharam os monstros ou seres imaginados. nota: tudo isto é feito apenas com a iluminação das velas. no final da aula o professor acende a luz da sala e revela o quadro/mural final. por comparação pode projectar uma imagem do liber monstrorum ou de bosch [tentações de santo antão ou outra] para pedir aos alunos para fazerem uma reflexão sobre esta nova ideia da idade média que acabaram de construir. ver exemplo de apresentação em powerpoint que pode ajuda na articulação entre a componente teórica e prática da aula, [clicar aqui].
 
||| ... esta aula tem como tema: a idade média. é uma aula de desconstrução do imaginário contemporâneo sobre a idade média enquanto "idade das trevas" e de apropriação imersiva dos alunos sobre o tempo histórico enquanto construção humana e temporalmente condicionada.

28/04/2014

||| uma aula em forma de civilização...


||| ...pedagogia: a consciência global da universalidade do devir histórico, assim como, das organizações civilizacionais numa visão transversal é sempre complexa para qualquer aluno [diria mais, para qualquer ser humano]. ver a árvore e não ver a floresta é sempre uma realidade presente na demonstração explicativa de qualquer sistema ou organização. esta aula pretende dar aos alunos uma oportunidade única de ter uma visão global sobre a decisão política, social e global das sociedades.

||| ... metodologia: o professor deve ter consigo o seguinte material: lápis de carvão, moedas de chocolate [três por cada aluno], um boneco lego para cada aluno, uma esponja, um balde com água e sabão/produto de limpeza e borrachas. a aula começa com o professor a projectar a imagem de abertura do google earth [o mundo/planeta terra]. os alunos estão sentados dois a dois nas carteiras. o professor entrega a cada aluno um lápis, três moedas de chocolate e um boneco lego. previamente o professor desenhou uma linha em cada carteira que divide os dois lugares dos alunos. o professor explica o desafio aos alunos. devem criar, na superfície da carteira [sim, desenhando na mesma], um mundo/país. devem dar-lhe um nome, uma língua, uma bandeira e um sistema organizacional/produtivo. devem destacar deste sistema três produtos principais e três riquezas naturais. os alunos desenham o seu país/território até ao limite da linha traçada pelo professor [a fronteira]. deve esta actividade demorar o tempo máximo de quinze minutos. findo este tempo os alunos devem procurar criar alianças, estabelecer trocas comerciais, iniciar diplomacia ou mesmo entrar em conflito para conquista. tudo isto é feito com os bonecos lego e as moedas. por cada relação diplomática pacífica são trocados os bonecos. por cada troca comercial ou conflito armado são trocadas as moedas. haverá um aluno que, em conjunto com o professor, arbitra as relações registando-as. os alunos podem juntar as mesas/carteiras sempre que um território é anexado ou conquistado. alguns alunos ficarão sem moedas e sem bonecos lego, outros com muito mais do que inicialmente previam. a actividade termina quando os "árbitros" conseguirem identificar uma "tendência" de organização. geralmente, por experiência, um dos alunos consegue um monopólio/império. no final dos noventa minutos os alunos e o professor fazem uma análise da disposição final e das relações estabelecidas com ganhos, perdas, modelos implementados e relações sistémicas nascidas destas organizações. 

||| ... esta aula tem como tema: a visão global sobre os modelos de relações sociais, culturais, políticas e organizativas das sociedades. é um desafio de final de ano lectivo pois exige um grau de domínio da turma/alunos quer no que concerne à sua autonomia de decisão, quer na forma como se relacionam entre si para que o desafio seja bem sucedido. é uma forma simples de colocar os alunos a olharem para os sistemas globais para uma percepção sobre o todo e sobre as partes. no final os alunos limpam as carteiras/mesas [também pode ser utilizada cartolina caso o professor não queira arriscar o riscar as mesas]...

24/03/2014

||| uma aula para falar de ética e estética...

 
||| ... pedagogia: esta é uma aula de quarenta e cinco minutos que é uma experiência imersiva que levará os alunos a reflectir sobre a construção de uma dialética entre estética e ética na evolução da linha clássica para a perspectiva medieval e posteriormente para uma linha moderna.
 
||| ... metodologia: esta aula é enquadrada num conjunto de três aulas, sendo a primeira que antecede esta uma aula teórica sobre os conceitos de ética e estética para os pensadores gregos clássicos e para a linha de pensamento dos pensadores medievais. será depois complementada por uma aula de reflexão e síntese teórica sobre a experiência vivida neste contexto. para a preparação da aula o professor deve escurecer totalmente a sala e precisa de um conjunto de trinta velas [uma por aluno] e uma vela para si. deve dispor a sala em U e retirar as cadeiras. nas paredes deve ter colocado uma folha de cartolina preta e a cada aluno deve ser dado um pau de giz branco. os alunos entram para a aula tendo apenas acesa, no centro da sala [ou na secretária do professor] uma vela. o professor fará uma introdução de dez minutos relembrando os conceitos de ética e estética. este tempo permite ao todos uma adaptação à luz [ou ausência dela]. terminada esta introdução o professor pede a um aluno para acender a sua vela indo buscar a chama à sua e que a coloque na mesa à sua frente. por questões de segurança devem os alunos usar copos de vidro de iogurte como suporte. quanto todos tiverem as velas acesas vão reparar que as suas sombras se projectam na cartolina preta nas suas costas. devem virar-te para as cartolinas deixando as velas acesas nas suas costas em cima da mesa. devem, a pedido do professor, desenhar a silhueta da sua sombra na cartolina contornando a sua cabeça e parte do seu tronco. a imagem torna-se similar ao mito da caverna de platão que pode ser explicado pelo professor enquanto os alunos realizam esta tarefa. finalizada a silhueta o professor pede aos alunos para traçarem uma linha que divida o seu rosto em duas partes. uma será a representação da estética e outra da ética. devem analisar os resultados numa lógica de que o rosto e formas do rosto são muitas vezes associadas à noção estética e as formas restantes à noção ética. pode o professor ainda provocar e perguntar a que poderiam os homens e mulheres da idade média associar ao espaço negro fora da forma humana falando os movimentos religiosos, do desconhecido, do mito e da relação com o divino.
 
||| ... esta aula tem como tema: a apropriação da noção de estética e ética de uma forma provocatória para a discussão e debate. é uma aula de nível complexo mas ao mesmo tempo que permite um debate alargado sobre a dimensão humana e divina, assim como, a racionalidade como elemento comum na organização mental das sociedade clássicas e medievais. poderá ainda associar-se a ideia de idade média ao período "negro" da história ou desconstruir esse mesmo elemento por via das relações entre o sagrado e o profano tão presentes no imaginário medieval e moderno.

14/02/2014

||| uma aula para falar do belo e do feio...


||| ... pedagogia: a construção de um ideal de beleza por definição da oposição do feio é um registo de época e contexto. esta aula é um exercício desses dois factores: o enquadramento histórico e o enquadramento estético.

||| ... metodologia: o professor pede numa aula anterior que os alunos levem uma imagem de alguém que achem belo/a. no início da aula o professor escreve no quadro ou projecta a frase: «se um visitante vindo do espaço entrasse numa galeria de arte contemporânea e visse rostos femininos pintados por picasso e ouvisse os visitantes a julgá-los como belos, poderia conceber a ideia errada, de que, na realidade quotidiana, os homens do nosso tempo achavam belas e desejáveis criaturas femininas com rostos semelhantes aos representados pelo pintor.». aos alunos é pedido então que, com as imagens que trouxeram transformem apenas com caneta aquela imagem que acham bela numa imagem feia. devem desenhar e transformar a imagem de forma a que esta perca a beleza e ganhe uma dimensão oposta. o professor pede depois aos alunos para guardarem esses registos até ao final da aula. projecta depois ou entrega aos alunos duas imagens: a mulher a chorar, de picasso [aqui] e esopo, de velásquez [aqui]. divide depois a turma em grupos e a cada grupo entrega uma cartolina preta e um pacote de guardanapos de papel. pode ainda entregar cola [embora eu não tenha experimentado pois o objectivo passa também pelo efémero da representação conseguida]. os alunos são desafiados a recriar, com estes materiais, uma das duas imagens ou fundir as duas imagens de forma a conseguir uma nova criação que apontem ou registem como bela. no final da aula os alunos são convidados a criar uma exposição que pode ser colocada na parede e chão com o objectivo de debater a ideia da beleza e do feio nos diferentes tempos e épocas tendo como referência o ideia de beleza e do feio emanado do presente. o debate começa pela discussão do que acharia um visitante vindo de outros planetas sobre aquela exposição criada. o que para ele poderia ser belo ou feio.

||| ... esta aula tem como tema: a leitura e construção de um conceito de beleza e de fealdade, assim como, a construção e desconstrução dos pré-conceitos e ideias sobre estas duas noções estéticas.

11/02/2014

||| uma aula em modo de porca e parafuso...


||| ... pedagogia: uma aula enquanto experiência e reflexão pode ser um instrumento de promoção da curiosidade para a apropriação do conhecimento. esta é a base de trabalho para esta aula para um nível básico de ensino do contexto e da realidade de um conceito.

||| ... metodologia: o professor começa por dividir a turma em dois grupos. um dos grupos ficará com a produção em série e outro com a produção artesanal sem que o professor dê essa indicação aos grupos. cada grupo divide-se depois em dois sub-grupos. a um dos sub-grupos do trabalho artesanal é dado um pedaço de barro [se possível] ou plasticina [dependendo das condições de sala e tempo]. é pedido a este sub-grupo de crie figuras geométricas ou figuras representativas. depois de este sub-grupo terminar algumas figuras é dado ao segundo sub-grupo do trabalho artesanal um pedaço de barro ou plasticina com o desafio de imitarem na perfeição as figuras criadas. a um dos sub-grupos do trabalho/produção em série é dada um caixa de canetas tipo bic com o objectivo de serem completamente desmontadas. após estarem desmontadas em peças o segundo sub-grupo recebe estas canetas para montagem e monta cada uma colocando numa caixa para embalagem. o trabalho do professor consiste em acompanhar os grupos e cronometrar o tempo e/ou fazer destacar a quantidade/qualidade (unicidade) de acordo com os objectivos estabelecidos para a aula. no final deve pedir aos alunos para fazerem uma observação reflexiva partindo desses dados. terminada a tarefa poderá o professor pedir que a repitam para trabalhar as questões das condições de trabalho/direitos e relação entre trabalho e produção.

||| ... esta aula tem como tema: a produção em série/artesanato. esta é uma aula pensada para o ensino básico e onde a imersão experimental resulta numa clarificação dos conceitos teóricos de abordagem aos momentos históricos que antecedem e acompanham a revolução industrial.

07/02/2014

||| é como entrar no túnel de lavagem automóvel...


||| ... sentei-me para pensar uma aula. desfiz tudo o que tenho feito no correr dos dias que são mais hábito do que qualquer outra coisa. peguei num livro. eco falava comigo de professor para professor. não era um eco. era umberto eco. disse-me: a imagem é ideia e o som é paixão. é por isso que a poesia e a música não são belas. são apaixonantes antes de serem beleza. ao contrário da imagem. nunca tinha pensado nisto. quer dizer, pensado já tinha pensado. nunca tinha era pensando nisto para uma aula. e recuperei um exercício antigo de preparar de raiz uma aula. ir buscar mais dois livros. pensar em tirar umas cópias de umas imagens. ir procurar origem das obras. biografias dos autores. ir perguntar coisas a mim mesmo que já nem recordava. apeteceu-me por instantes ter os meus apontamentos das aulas de teoria da história para recordar o que dizia o professor eduardo catroga sobre os pitagóricos. que tudo é proporção. lembrei-me o oráculo e da frase escrita na parede: evita o excesso. as regras da nobreza da vida segundo os gregos. lembrei-me da história ouvida em passeio por mérida de que no anfiteatro ao deixar cair uma moeda esse som era ouvido no palco [cena]. e tudo surgia na memória como um exercício muito belo. recordei o tempo e o gosto do que é preparar uma aula a sério. apeteceu-me encher o espaço onde estava de folhas e ideias. de referências. de linhas a lápis para juntar ideias. e ficou ali a certeza que somos melhores professores quando, neste exercício de preparar uma aula, aprendemos mais. roubaram-nos foi o tempo para isso. e por isso vamos reproduzindo o que temos feito. e quem perde são eles. os nossos alunos. sempre.


03/02/2014

||| uma aula para cortar ideias velhas...


||| ... pedagogia: compreender a história é tornar a visão e noção do tempo num conjunto de representações concretas sobre a personagem histórica no seu contexto. partindo da premissa que o homem é "o homem e o seu contexto" esta aula permite uma análise sobre a produção histórica vista do presente para o passado criando um olhar crítico e atento sobre o mesmo.

||| ... metodologia: o professor pede aos alunos, numa aula anterior que recolham, cada um, cinco registos de pessoas com a idade situada entre os setenta e os oitenta anos, entre os trinta e os quarenta anos e entre os dezoito e os vinte anos. cinco frases para descrever/responder a cinco perguntas: o que é a vida. o que é a morte. o que é o tempo. o que é mais importante para si hoje. o que foi mais importante para si nos últimos anos na história do nosso país. o professor pode optar por escolher perguntas direccionadas para temas concretos. por exemplo, o papel da mulher ou a criança ou a saúde, etc... feita esta recolha na aula o professor pede aos alunos para escreverem numa folha de tamanho a3 cada uma das afirmações registadas. para poupar papel podem ser todas numa só folha. ou mesmo numa folha a4. distribui depois tesouras. pede aos alunos para recortarem palavras que consideram relevantes em cada tipo de registo por geração/faixa etária. pede depois aos alunos que se organizem em três grupos. cada grupo deverá, partindo as palavras recortadas criar uma lei. uma lei adequada ao tipo de pensamento representado pelos diferentes registos. uma lei que transforme o pensamento/mentalidade descrito ou encontrado em cada faixa etária que fosse inovadora socialmente e historicamente. no final são debatidos os resultados e as razões de fundamento da lei criada, assim como, afixadas as leis num corredor da escola ou na parede da sala de aula.

||| ... esta aula tem como tema: esta aula é um desafio para um nível secundário. é acima de tudo um exercício de tripla leitura. uma leitura sobre o contexto histórico, uma leitura sobre a intervenção social e uma estratégia de desenvolvimento da capacidade de oratória e retórica.

27/01/2014

||| aula em que não se brinca com a comida...



||| ... pedagogia: pela construção de formas em altura os alunos são desafiados a conhecerem a visão espiritual e/ou mundana da relação entre o homem e a representação arquitectónica da religião vista enquanto modelo social e de expressão simbólica da representação divina nos espaços de culto ao logo da história.

||| ... metodologia: para a aula são necessários alguns recursos - um pacote de esparguete [fora de circulação/consumo], uma barra da plasticina e imagens de igrejas/espaços religiosos de diferentes épocas/estilos arquitectónicos. a sala precisa de preparação prévia. em mesas em estilo de ilhas são colocados os materiais e as imagens. são ainda impressos em folhas brancas palavras/conceitos como: contraforte, verticalidade, etc... os alunos são convidados, com o esparguete e a plasticina a construírem uma estrutura em três desafios: primeiro - uma estrutura em comprimento extenso. segundo - uma estrutura em altura. terceiro - uma estrutura que conjugue as duas componentes - altura e comprimento.  ao longo do desafio os alunos vão perceber que diferentes estruturas implicam diferentes estilos e tipos de construção. são sempre trabalhados pelo professor os conceitos. o conceito mais facilmente introduzido é o de contraforte. assim como, são facilmente explorados os conceitos de arco, ogiva, pilar, suporte, etc... a aula termina quando todos os grupos tiverem conseguido criar uma estrutura válida e analisado a evolução histórica da representação social e cultural da arquitectura em relação directa com o poder espiritual no contexto histórico.

 ||| ... esta aula tem como tema: a arquitectura/estilos arquitectónicos e a representação social e cultural do poder espiritual/religiões na construção de espaços de culto em diferentes épocas históricas.

09/01/2014

||| está o ar a passar entre as portas...


||| ... fui a uma escola. moderna, dizem. sempre dei, quando tal era possível pela logística da escola, aulas de porta aberta. e quando pediam outros alunos para assistir [quando havia furos nos horários] deixava. agora não há nada disso. primeiro passei pela porta com um quadrado de vidro a meio e pensei: aquário. só faltam as algas e as bolinhas de ar no meio. depois assustei-me. pensei em grades. em orwell. no observador. no fim da reserva. do público e do privado. dos espaços que não são continuação do espaço. e sempre vi a minha sala de aula assim. a minha sala de aula não é a continuação do espaço da escola. é um espaço. pode estar, ou não, integrada no espaço da escola. há dias em que não me apetece que esteja. em que quero levar os meus alunos para fora da escola sem saírem do lugar. e assusta-me que tudo seja, neste caso, um espaço público. não é preocupante. é um sintoma social. que se espelha na escola. este lugar onde já ninguém pode estar. tem que estar com outros. em permanência. como se fosse possível ou impossível o lugar ser transformado para além da lógica do processo em que alguém ensina e outro aprende. estranho tudo isto. porque me assusta muito este caminho que estamos a fazer na escola. conformado num presente não desenhamos o futuro. deixamos que nos observem em vez de criarmos. e tudo, da arquitectura aos espaços das escolas ditas modernas está pensado para isso. porque nada existe por acaso. e não sei se alguém já pensou nisto...

03/12/2013

||| o que conseguimos imaginar conseguimos fazer...


||| ... sempre defendi que uma visita de estudo não é um passeio. pode ser, mas então é um passeio. por isso defendo, como professor, que sempre que penso numa aula fora de portas o penso, efectivamente como uma aula. tem que ser um desafio. tem que enriquecer. tem que provocar. e acima de tudo tem que fazer pensar para além do que se faz em contexto de sala de aula. assim o fiz nesta aventura de levar os alunos a serralves para um desafio de imaginação e som. o resultado? podem ouvir clicando aqui. nove máquinas inventadas. num atelier [dos mais antigos do serviço educativo de serralves] os alunos são desafiados a criar máquinas imaginadas. a criarem o seu som. a descreverem o seu funcionamento. a perceberem a lógica industrial da construção de uma máquina. a ouvirem. a trabalharem os sentidos mas, acima de tudo, a imaginarem. e num tempo em que se fala tanto de criatividade e da ausência de tempo para esse processo, eu dediquei uma aula inteira à imaginação. se esse processo fosse uma escada a imaginação estaria um degrau acima da criatividade. porque de apenas umas poucas referências nasceram, efectivamente máquinas. mais ou menos conceptuais. mais ou menos completas. mas máquinas. que produziam sons. que se transformaram em movimento do corpo e do pensar. do criar. e hoje, num tempo que se treina os alunos para reproduzir nada há de mais perfeito do que fazer o sentido contrário. reproduzir é de uma inutilidade tremenda se não for acompanhado pelo criar. e o futuro precisa de imaginação. para que não seja esta reprodução do presente de que nos queremos livrar. e isso, isso é uma aula dada em partilha. em lugares e com coisas que não existem. e assim se faz nascer um pouco mais de futuro. e assim se brinca um pouco mais com o que já se aprendeu. e assim se vê o caminho de quem quer aprender a desafiar o futuro. e tudo isto foi feito de formas diferentes. primeiro formalmente. depois, a equipa fantástica que orientou virou tudo ao contrário para o segundo grupo. começámos pelo fim e acabámos no princípio da oficina. talvez seja isto que todos precisamos. olhar a sala de aula de outra perspectiva. há muitas formas de ver o que não está lá... ainda.

02/12/2013

||| vocês fizeram os dias assim...


||| ... há, na vida de um professor, momentos raros. momentos em que somos professores para além do que criamos em cada aula. somos transformados em momentos. e esta aula que foi tudo e uma aula também: surge como se a vida inteira fosse confluir naquele momento. um amigo construído num sim dado a um convite feito há alguns anos. um espaço que considero de referência. uma amizade recente e tão bela que nos visitou ao fim da tarde de um dia passado em serralves. e o que era para ser um aula, foi um momento. e quase não disse nada durante o dia. nada tinha para ensinar ali. ali todos sabiam mais do que eu. os meus alunos, ele e ela que orientaram o dia e quem visitou. todos sabiam mais do que eu. e é curioso. é nesse momento em que todos sabem mais do que o professor  é que ele se sente realizado. eles foram mais além. e isso é algo de indescritível. todos, sem excepção, superaram-se. foram os melhores. foram melhor. muito melhor do que um só professor que só os juntou. e há nesse momento todo o brilho e todo o encanto desta profissão. agora, passado o momento, resta preparar outros. criar outros. e voltar a ser professor em cada aula. porque hoje, neste momento, fui só o mais orgulhoso de todos os seres humanos que apenas observou a vida à sua volta.

26/11/2013

||| uma aula sobre percepção...


||| ... pedagogia: a percepção que temos sobre os factos torna-se num dos principais instrumentos da análise da sociedade e da história criando representações mais do que leituras concretas sobre o conhecimento a produzir. esta aula é um instrumento de reflexão pela criação que permite aos alunos questionarem a realidade do conhecimento social e histórico actual partindo da leitura e percepção da construção do conhecimento e da arte.

||| ... metodologia: o professor prepara a sala colocando nas paredes folhas de papel branco [preferencialmente papel cavalinho] e lápis de carvão ou carvão de desenho ao nível do olhar/rosto dos alunos. o número de folhas deverá ser para que os alunos estejam em pares em trabalho prático. um dos alunos é convidado a ficar em frente à folha de papel colocando o braço e a mão esquerda atrás das costas. o aluno em par com esse deverá colocar-se em posição que permita escrever/desenhar uma figura na palma da mão do aluno que está virado para a folha. assim que o aluno começar a desenhar na palma da mão do colega este deve tentar reproduzir o desenho da mesma forma que está a ser feito na folha que tem à sua frente sem nunca falar ou ver o que está a ser desenhado na sua palma da mão. terminado o desenho/escrita os alunos comparam o que está na sua mão com o desenho feito no papel. podem inverter [ou não] posições e repetir a actividade. deve depois o professor colar numa parede um pedaço de tamanho alargado de papel de cenário. no centro do papel de cenário desenhará um círculo de tamanho médio colocando no centro a palavra percepção. cada aluno deverá então desenhar fora do espaço deste círculo aquilo que ainda se encontra na palma da sua mão. um dos alunos deverá então convidar outro professor ou colega que não tenha estado na sala a comentar aquela "obra". deixa o professor ou aluno convidado fazer a sua análise até ao fim e no final todos explicam o processo de criação da "obra". 

||| ... esta aula tem como tema: a percepção e a construção do conhecimento/arte. permite aos alunos reflectirem sobre como se faz a leitura da realidade e como a percepcionamos se não usarmos os sentidos, o conhecimento e a análise racional e comparada. permite ainda questionar a produção do conhecimento de uma forma interpretativa mais do que pela apropriação directa sem questionamento. permite aos alunos perceberem que o conhecimento tem sempre uma leitura de perspectiva e em construção, assim como, permite sempre o questionamento sobre o adquirido.

18/11/2013

||| a guerra dos mundos numa aula...


||| ... pedagogia: a comunicação e a manipulação da linguagem e da mensagem é o propósito desta aula preparada como um desafio de nível complexo. para além do conhecimento do ambiente social e do poder da observação são trabalhadas técnicas de enquadramento da linguagem histórica assim como modelo de dramatização e oratória.

|||| ... metodologia: o professor apresenta aos alunos fazendo o enquadramento histórico, literário e narrativo da intervenção radiofónica criada por orson welles [a guerra dos mundos] o desafio para a aula. este será realizado em grupos de cinco ou seis elementos e tem um grau de complexidade elevado. os alunos devem, em grupo, criar uma narrativa de enquadramento histórico num tema contemporâneo que possa influenciar o comportamento em sociedade de pessoas suas desconhecidas. esse tema deve ser claro, objectivo e ter uma narrativa simples e que os alunos devem construir com base nos princípios dos textos jornalísticos ou noticiosos. feita a escolha do tema, os alunos devem pensar, em grupo, num suporte publicitário/de intervenção pública para o mesmo. poderá ser um discurso público, folhetos, cartazes ou qualquer outro tipo de suporte que permita a intervenção pública em média escala. pode até ser uma pequena dramatização de situação enquadrada social e historicamente ou utilizando o [des]conhecimento de momentos dramáticos e históricos para serem recriados conduzindo a reacções cívicas inesperadas. após esta criação deverá ser feito um pequeno ensaio/teste entre os grupos. o professor acompanha os alunos para um contexto aberto de intervenção onde vão levar a cabo as suas intervenções por grupo. [note-se que os elementos oficiais da escola devem estar informados deste desafio para não haver intervenções imprevistas]. os alunos realizam as suas criações e devem, no final, explicar aos participantes desconhecidos que se tratou de um exercício. deve o professor no final de cada momento criado fazer uma abordagem de desconstrução dos comportamentos fazendo uma análise sociológica dos mesmos em reflexão com os alunos.

||| ... esta aula tem como tema: a cultura social e a relação comportamental e cívica da sociedade contemporânea face ao imprevisto. é uma aula que permite aos alunos perceberem como as massas podem ser manipuladas e como a história prova que essa forma de manipulação sempre foi usada para a gestão do comportamento individual e colectivo. é uma aula onde o desenvolvimento de técnicas de comunicação é muito acentuado.

12/11/2013

||| uma aula aberta ao património esquecido...


||| ... pedagogia: valorizar o património desconstruindo a sua relação com a indiferença do espaço e tempo de uma comunidade tem como base uma apropriação completa dos monumentos vistos como elementos incompletos onde a arte e a intervenção contemporânea podem explicar contextos, histórias e identidades.

||| ... metodologia: esta é uma metodologia de «aula-aberta». todo o processo de apropriação do património monumental passa para o processo criativo dos alunos por via de desafios directos. é trabalhada a questão da apropriação individual e colectiva [enquanto turma]. o professor desenha um percurso por cinco estátuas da cidade. este percurso tem que estar muito bem definido pois será a partir dele que toda a aula vai [ou não] fluir. se possível escolher estátuas de figuras individuais e colectivas. ou baixos-relevos. escolhidas as estátuas e definido o percurso o professor começa por definir que o desafio será feito primeiro individualmente, depois em pares, depois em grupos de três elementos, depois em grupos de cinco ou seis elementos e para último deixa a divisão da turma em dois grandes grupos. das cinco estátuas que são simultaneamente cinco paragens de cinco a dez minutos e cinco desafios o professor desenha e explica, em cada paragem, esses mesmos desafios. o primeiro, individual consiste em representar com o corpo a posição que a estátua apresenta. obriga os alunos a perceberem a relação entre o real e o figurado/encenado, assim como, a mestria do escultor/criador para a modelação das posições do corpo. o segundo desafio numa outra paragem/estátua é feito em pares e deve permitir a interacção entre os alunos que devem replicar a imagem da estátua em conjunto. este desafio permite trabalhar a noção de proporção e tomada de decisão, assim como analisar a relação entre a mensagem intrínseca e o significado. a terceira paragem representa o primeiro desafio criativo para os alunos. em grupos de três elementos os alunos são convidados a criarem uma primeira representação sua da mensagem que uma nova estátua lhes transmite. são aqui trabalhadas as questões da identidade, da mensagem histórica e da cultura social. na penúltima paragem e estátua os alunos são convidados, em grupos de cinco ou seis a criarem um elemento estranho à estátua que observam. esta paragem permite trabalhar o contexto e a coerência na obra de arte e na temporalidade histórica do património cultural em espaços públicos. por fim, na última paragem e estátua a turma dividida em dois grandes grupos é desafiada a completar o cenário/elementos que formam o conjunto monumental  esta intervenção permite uma apropriação do património e uma leitura do universo histórico e social do seu enquadramento.

||| ... esta aula tem como tema: o património público e a identidade cultural, social e histórica. muitas vezes descurada e esquecida a relação entre as estátuas colocadas em espaços públicos e a apropriação da mensagem histórica permite uma releitura dos espaços do quotidiano e uma valorização do mesmo. é uma aula-aberta onde, de facto, a liberdade de criação por parte dos alunos deve ser valorizada e impulsionada.