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01/09/2014

||| das duas, uma é certa...


||| ... "previsões só no fim do jogo". os homens do futebol, de tempos a tempos, relembram esta. e é com isso em mente que escrevo isto. em breve retomam as aulas. os miúdos. as coisas em modo de velocidade de cruzeiro. mas ou me engano muito ou, para além das coisas de gestão de carreira que tenho falado pouco aqui porque me parecem sempre secundárias às outras e há quem o faça muito melhor do que eu em espaços como este, decidi virar vidente e fazer uma previsão antes do fim do jogo. melhor, até antes do jogo começar. e dos muitos confrontos que antevejo, assim como sucessos [de que falarei amanhã], vejo dois que se agigantam. e penso que são dois que se falam em surdina e por isso me apeteceu dizer em bom som por aqui. será um tipo de vaticínio em jeito de oráculo sendo que de vestal tenho muito pouco. mas pode ser que funcione. parto do princípio simples que este será o ano de consolidação das fracturas criadas em anos anteriores. o aumento de alunos por turma, os hiper-mega-super agrupamentos ingovernáveis, os estatutos e regulamentos e coisas que tais. parto assim para duas observações concretas. penso que a indisciplina será um factor em destaque e em crescimento. e penso que tudo se centrará na falência das aprendizagens verdadeiras. passo a explicar as coisas coisas que retiro de um saco de tantas outras. muitas vezes calado, subterrado em formas processuais confusas e administrativas, muitas vezes ainda mais abafadas dos comentários por vergonha ou pela análise simples de um estudo qualquer feito de fora para dentro, creio que o "fenómeno" da indisciplina será dos mais prejudiciais que a escola enfrentará neste ano lectivo. mesmo que muitas estratégias complexas ou simples estejam em marcha [como as velhinhas e falidas turmas de nível] este estado de coisas que vem do ano passado se não tiver uma estratégias concreta, absoluta e visível irá agravar-se substancialmente. mesmo que ninguém o diga. mesmo que fique fechado a sete chaves no interior da escola ou da sala de aula, pela gestão cada vez mais difícil mas conseguida por muitos professores,  este será um dos factores mais complexos e desafiantes que a escola, como um todo, terá que gerir em escalada crescente. e ou eu me engano muito ou será quase impossível esconder tudo no interior das muralhas das escolas por muito mais tempo. exige um plano pensado. medidas concretas. formação. ajustes. e gestão. gestão estratégicas [de um ministério surdo e cego neste aspecto]. sem estatísticas e com medidas concretas seria possível prevenir. mas acho mesmo que começa o ano lectivo e já iremos remediar ao longo do caminho o que não é a mesma coisa do que, verdadeiramente, prevenir. e depois, as aprendizagens. se este ano a facilidade substituiu a exigência nos exames e as suavidades substituíram as realidades agudas de uma "desaprendizagem" significativa, penso que tudo tenderá a ser mais embrulhado neste ano. se o resultado de "trabalhar para os exames" no ano passado se tornou uma evidência de um sistema reprodutor mais do que criador, este ano será muito mais simples, simplesmente procurar reproduzir tudo isso num dimensão ainda maior. isto é, desde o início. mecanizar procedimentos. repetir. exaustivamente. mas a lógica de uma escola inclusiva e os rankings [essa mentira ainda mais vendida] vão fazer o resto do trabalho. aprender será uma coisa supérflua. o que importará será reproduzir. o que não é a mesma coisa. nem sequer é uma coisa. é um gesto mecânico. e por isso, como nunca, a avaliação será o motor da escola. o que retira da aprendizagem o seu verdadeiro peso. de processo passa a procedimento. e com isto vamos perder todos. o interesse. a motivação. a curiosidade e por incrível que pareça o que nos digam exaustivamente, vai perder-se o conhecimento. espero, sinceramente, estar errado. a verdade é que sempre fui muito mau em previsões. e ainda bem. pode mesmo ser que esteja profundamente errado. mas como diz o outro: "previsões, só no fim do jogo. e este ainda está para começar...  

05/02/2014

||| estava inês posta em sossego...


||| ... há palavras a desaparecer. falo muito disto. mas a verdade é que isso representa o que vivemos nos tempos de hoje. quando usamos menos palavras. ou as mesmas, sempre. ou as simplificamos no seu significado. uma das que mais gosto é o sossego. muitas vezes digo aos meus alunos que aquele momento é um tempo para o sossego. não é para estarem sossegados que é uma violação da ideia do que é estar em sossego. muitas vezes usamos a expressão: não consegues estar sossegado. quem ainda usa. porque a maior parte das vezes o que oiço é: não consegues estar quieto. como se o outro, o nosso aluno, estivesse a jogar ao jogo das estátuas e o objectivo era mesmo a imobilidade. quieto. parado. mas sossegar não é isso. é retirar a pressa. é quietude. tranquilidade. é o tempo antes de agir. o tempo necessário a um aprofundamento da reflexão. e como posso eu, professor, dizer que os meus alunos não são capazes de pensar, criar, repensar, reflectir se os quero quietos em vez de sossegados. é que as palavras descrevem a realidade. e o tempo acelerado que vivemos eliminou das salas de aula esse cultivo do tempo do sossego. e com isso tudo o resto. e quando só queremos alunos quietos estamos a pedir que o pensamento também o esteja. apeteceu-me pensar nisto.

31/01/2014

||| chegou ao meu email uma coisa...


||| ... professor, o que acha disto? pode convidar para virem cá? os meus alunos, de vez em quando, fazem isto. enviam-me um email com uma pessoa ou um projecto que gostavam de conhecer. e eu faço o trabalho depois. envio emails, faço contactos, peço ou convido para darem um salto até à minha aula. a uma aula. desta vez o convite era sobre a curiosidade sobre o erro. o título não me apela a mover-me. escola do erro ou parecido. abraçar o erro. isso não gostei. a escola, para mim, é o lugar da ciência. o erro é um dos momentos do processo de aprendizagem e também do conhecimento. valorizar o erro não me parece ser o melhor caminho. incorporar como algo relevante no processo é também valorizar todas as outras etapas. mas fiquei curioso pela razão que levou os meus alunos a fazerem este pedido. por isso respondi que sim. que vou fazer tudo para levar lá alguém para falar sobre o erro. mas não nesta perspectiva. na perspectiva integrada no processo criativo. gosto desta relação que os meus alunos fazem de que o professor é um agitador do correr dos dias. que me façam desafios. que me peçam o que querem ouvir para além de mim que digo quase sempre a mesma coisa. é que antes de tudo a escola é uma universidade. uma universalidade do pensamento e do desejo de aprender. se assim não for estamos num supermercado...

29/01/2014

||| isto serve para pintar paredes...


||| ... acho sempre curioso quando digo a um colega que comprei uma lata de tinta de água azul para ir dar uma aula sobre o renascimento. ou numa reunião. ou que vou usar esparguete. ficam a olhar para mim com aquele ar de espanto/dúvida/curiosidade/loucura. e quase nunca ou sempre a medo me perguntam: mas o que é que vais fazer com isso? e eu explico. digo. vou fazer isto e isto e isto para ensinar isto e isto e isto. e farei assim, assim e assim. e em dez minutos explico como irei dar a minha aula. e falta tanto isto na escola hoje. para que as coisas não sejam estranhas. para que haja lugar ao experimental mais do que ao experimentado. para que ainda se possa criar coisas diferentes para ensinar. falta cada vez mais isto. por medo, preguiça, cansaço ou desânimo. mas falta. e por isso é que é estranho eu usar coisas do dia a dia para ensinar coisas de outros tempos. não devia ser. mas é.

27/01/2014

||| o conhecimento é grátis...


||| ... a césar o que é de césar. ao homem o que é dos homens. aos deuses o que é dos deuses. e ao esquecimento todas as outras coisas que ficam pelo meio de tudo isto. tirei esta fotografia para ilustrar este pensamento. que o conhecimento é um lugar, uma coisa, gratuita. o que eu sei qualquer um pode saber. não é o que vivi ou o que a experiência me ensinou. isso guardo-o comigo como saber dos deuses. é o conhecimento. o que sei. basta pegar nos mesmos livros do que eu. ouvir as mesmas pessoas. entender as mesmas coisas. visitar os mesmos lugares. será? será assim tão fácil ou tão difícil? penso nisto sempre que vou dar uma aula a uma escola que não é a minha. a alunos que não são os meus. quando me pedem. sempre achei que o conhecimento é gratuito. não é que não tenha um custo. ou um valor. tem. mas não se traduz. não é possível traduzir-se esse valor. o valor de ensinar é medido em tempo e na forma de o fazer. nos recursos. agora o conhecimento não. é mesmo isso. é gratuito porque está acessível. basta ver. basta viver. basta procurar. basta ouvir. basta pensar. e por isso quando me dizem que há um valor em saber mais do que os outros ou ser reconhecido por esse conhecimento assusto-me sempre. desumanizamos até o simples acto de conhecer e partilhar o conhecimento. e passamos a cobrar pelo conhecimento. não estou a falar do acto/trabalho de ensinar. esse sim deve ser pago no seu valor que é o tempo e labor. estou a falar do conhecimento em si. da sua natureza tão simples que até se torna estranho pensar no seu valor num tempo em que tudo é economia. e olhei para o navegador uma vez mais. saberá ele tudo isto? terá ele pensado que o mundo que iria dar a conhecer um dia seria fechado pelo custo de procurar saber um pouco mais? e fechei os olhos. lembrei-me que era professor. uma senhora inglesa que visitava o mesmo espaço perguntou-me quem era aquele ali no cimo. e estive meia hora a conversar, porque afinal, eu só sabia uma coisa que ela queria saber...

09/01/2014

||| no meio da floresta existe uma árvore de costas...


||| ... de tempos a tempos vou navegar. navegar é preciso. dizia o poeta. e bem. vou procurar. gosto da palavra pesquisar que usamos com uma modernidade envelhecida. eu vou pesquisar. os meus alunos vão à net. como quem vai ali a um lugar. eu vou pesquisar. sou de outro tempo. do tempo das fichas em papel nas bibliotecas. ordenadas por nomes e alfabeticamente. por isso ainda penso que a informação estará assim. organizada. mas agora não é assim. é pelas minhas preferências, explica-me a política de utilização do google. eles sabem o que eu prefiro, dizem. o pior é que não sou uma pessoa coerente. nem consistente, diz o relatório de utilizador. não sei se é bom, se mau. eu não vou à net. vou pesquisar. e lá vou eu. primeiro em português. e surgem milhares de atalhos. não falo de ligações. falo de atalhos. caminhos curtos. coisas preparadas. como a comida pré-feita. mas aulas. recursos. coisas que fazem isto e aquilo. ou um ou outro "powerpoint" feito por um colega que partilhou num momento qualquer para o mundo. depois faço-o em inglês. e recursos há menos. mais artigos. mais reflexões. mais análises de resultados. guias de implementação passo a passo. é curioso. e faço uma última tentativa em francês. e lá vem uma ideia gira. um desafio feito. um projecto. é curioso. mesmo muito curioso. a língua determina a cultura de abordagem ao que se faz em sala de aula. partilhamos mais, sem dúvida. mas talvez partilhemos mais atalhos do que qualquer outra coisa. o nosso problema é de tempo. falta dele. procuramos coisas feitas. encontramos coisas feitas. noutras paragens encontramos caminhos. mas isso implica construir as estradas. e não temos tempo. foi-nos roubado esse tempo. daí os atalhos. mas o tempo que passo a ver atalhos, penso sempre, permite-me criar eu a solução. o recurso. a aula. deixo a pesquisa. não estou lá, como os meus alunos. vou lá. só. espreitar. pesquisar. obsoleto, eu, professor, pesquiso. e depois desligo. navegar é preciso. saio de casa. vou até ao pé do mar. ando um pouco. ali navega-se. ali, sim, os barcos navegam. e lá está, no horizonte a ideia para uma aula. aquela linha que vemos curva com o olhar. seria tão simples dizer que o mundo acabava ali. ainda é. e vamos de galileu até ao renascimento. e é tão simples. é só preciso navegar.



10/12/2013

||| see what no one else sees. see what everyone chooses not to see...


||| ... estou a pensar que para a semana tenho uma coisa chamada "conselhos de turma". coisa. lembro-me da minha professora de filosofia do décimo segundo ano que me apresentou pela primeira vez a definição de coisa. chamava-se inês. curioso como passados tantos anos não me esqueci disso. da coisa. dizia ela que podíamos usar a expressão coisa na aula dela pois era uma definição filosófica. só não era permitido o etc... que era coisa de gente sem saber o que dizer. tenho reparado que o etc... tem desaparecido. é de todos termos tudo dito ou todas as certezas. eu não tenho. eu uso muito, etc... e tal. mas volto ao pensamento sobre os "conselhos de turma". acho que deviam mudar o nome para concílios. sim, porque na origem da palavra está a palavra união. e grupo de pessoas reunido. sinceramente até para os outros ficava mais bonito. vou ter um concílio de turma. e o coordenador ou director passava a ter um nome longo daqueles que enchem tanta gente de petulância. do género: coordenador de direcção do concílio de turma. isto num cartão ficava algo de soberbo. o que é que faz? sou professor e sou coordenador de direcção do concílio de turma. brutal. então é que ninguém os parava. qual director de escola qual carapuça. isso tem poucas palavras. bem... mas tudo isto para dizer que fui ao programa oficial que tenho que cumprir. sou professor de história a dar uma área transversal. e deparo-me com o próximo tema [ainda não encontrei um assunto no programa, só temas]. o sujeito bio-ecológico. que medo. quem é que escreve estes programas? o sujeito? mas está bem. gosto particularmente do bio-ecológico. então tudo junto dá uma coisa fantástica. quem é que inventa estas coisas? mas preciso de desenhar ideias, aulas, desafios. momentos. e o que eu gostava que fosse essa coisa chamada "conselho de turma" [que podia ser concílio de turma]? uma discussão de ideias. aberta. olhem, eu tenho que trabalhar este tema porque não me deixam trabalhar assuntos que é isto do sujeito bio-ecológico. e vocês? o que vão fazer. e trocavam-se ideias. articulava-se uma ou outra estratégia. mas acho que vou ficar pela ideia do que podia ser essa coisa que afinal é coisa nenhuma. mas não desisto. vou levar o meu problema [que é um assunto e não um tema] e vamos ver se alguém partilha comigo uma ideia. tentar não custa coisa nenhuma. e talvez um dia as coisas mudem e seja tudo isto uma coisa com lógica. haja esperança, força e futuro.

||| 1x2 quem ganha é o sistema...


||| ... sentei-me e em exactamente dezassete minutos e meio despachei grelhas de avaliação. achei, como acho sempre, um processo inútil. e mais, na última aula que dei a algumas turmas, não falei de avaliação. nem notas. nem nada. foi uma aula sobre o sorriso e o que queremos dizer aos outros [e como o fazemos por diferentes modos de comunicação e interacção social]. a comunicação é sempre um conteúdo fértil para aulas muito diferentes. e esta era a última de um período de tempo marcado pela descoberta. de que valeria estar a falar-lhes de notas. de números. sou sincero, isso fica para o futuro. deles. nesse tempo futuro os números serão algo que os define [espero que não]. mas hoje, comigo, professor deles, é assim. antigamente [não tão antigamente assim] perguntavam o nosso nome e nas fichas do sistema o nome vinha em primeiro lugar. agora é o número. desculpe, pode indica-me o número de onde está a ligar? pode dar-me o seu número de identificação? pode indicar-me o número para lhe poder dar uma resposta personalizada? isso é tudo o que não quero na minha sala de aula. ali eles são eles. os rostos, os nomes. e se querem concorrer entre si podem ser competitivos pela melhor ideia [se é que há melhor], pelo sorriso que deixam nos outros, pelo espanto ou por aprenderem, como ontem o fizemos, de como a arte contemporânea pode recorrer ao conhecimento do ser humano para trocar as voltas à nossa percepção sobre a realidade. as notas? este modelo artificial de classificação fica para aqueles que acreditam que valemos [só] um número. eu não. eu sou professor. importa-me o conhecimento. importa-me o desafio de os fazer pensar. importa-me o lugar da ciência e da descoberta. importa-me fazer deles pessoas curiosas. e isso não se mede. sente-se.

19/11/2013

||| o homem dos braços longos que não chegam à lua...


||| ... numa escola há desculpas para tudo. para tudo não mudar. ou para serem cumpridas as coisas que estão determinadas. vamos fazer isto: ó não... é melhor perguntar se é possível. não é possível, não há condições, não há dinheiro, não há tempo, não há forma, não há espaço, não há indicações, não está no regulamento, não há interesse, não. ou então: é muito caro, é muito estranho, é muito arriscado, é muita gente, é pouca gente, é difícil, é complicado, é pouco urgente, é pouco importante, há outras prioridades, não. ó não... pior: vamos marcar uma reunião para ver isso. ó não! e desiste-se. não. nunca. faz-se. e depois perguntam: mas tinhas autorização? tinha, da minha consciência e da minha vontade. e como conseguiste? fiz, simples, fiz, somente. só tu! não. ó não... se o tempo dedicado a arranjar uma desculpa fosse o mesmo para fazer muito já se tinha feito. ó... só tu mesmo. e pronto. não saímos disto. saímos, porque fazemos. eu e eles, os meus alunos. vamos fazendo. é sempre muito mais simples deixar tudo como está. acho mesmo que vou levar um cartaz para a escola e colar na entrada a dizer: não se aceitam estas desculpas. e faço uma lista. quem arranjar estas desculpas tem que pagar um euro. ui... vai aumentar o orçamento da escola em muito... a mulher que desapareceu até hoje ao tentar voar à volta do mundo, essa personagem fantástica do mundo dos seres humanos, amelia earhart teve uma frase única que me regressa sempre à memória: a mais eficiente forma de fazer as coisas é: fazer as coisas. [e esta é uma história de vida que irei trabalhar com os meus alunos muito em breve]. por isso, cartaz, vamos a isso... fazer dinheiro com desculpas... ó não... se calhar vão arranjar uma desculpa para não poder colocar o cartaz... mas vou afixar às escondidas e dizer que foi o abominável homem das neves que por ali passou e o deixou. assim ninguém o vai tirar de lá... 

06/11/2013

||| olá, boa tarde daqui fala a marta...


||| ... nesta fotografia há um objecto completamente inútil. chama-se livro de ponto. e ponto. e pronto. e apeteceu-me dizer isto. pronto. ponto. final. mas tudo isto para não começar logo por falar nesse objecto [para muitos vindo do inferno mais profundo] chamado telemóvel. pior. telemóvel e sala de aula. ui... o fim do mundo vem aí. não, não vem. na minha primeira aula a regra de ouro: telemóveis sempre em cima da mesa. como o meu. eu não uso relógio [nem eles] e por isso o telemóvel é o meu relógio. eu ando, feliz ou infelizmente, com o meu telemóvel para o todo o lado [como eles]. regra: sem som. regra: sem fotos ou vídeo se não tiverem autorização. de resto, lá está. como o estojo ou o caderno. e não incomoda. e não prejudica. e não é bicho de sete cabeças. e ajuda nas actividades que precisam de controlo de tempo. ou simplesmente para procurar um texto na internet. ou para escrever uma cábula [no bom e no sentido útil da coisa]. e por isso nunca percebi essa coisa estranha de ver num objecto todo o mal do mundo. a distracção não está no objecto. está no que não prende a atenção. ou em tudo o resto. um objecto é só mesmo isso. eu quanto era aluno [e até vim uma vez para a rua por isso] brincava com o estojo e desenhava nos cadernos para fugir das aulas que não me prendiam a atenção. não tinha telemóvel, não sou desse tempo, mas fugia na mesma. eram os objectos que tinha. nunca fui daqueles que defendem a proibição. defendo sim, a etiqueta [conjunto de normas e regras usadas em sociedade]. telétiqueta. também há a netetiqueta. isto é, saber usar. como usar. quando usar. gosto desta ideia absurda: telétiqueta para alunos e para professores... é estúpida. absurda. parva. gosto. uso e gosto. e pronto. ponto. final...

23/10/2013

||| de quem não sei quem é mas trabalha comigo...


||| ... há pessoas para além de professores. e devia haver conversas. entre as pessoas. e tempo para falar das outras pessoas que são os nossos alunos. e não de coisas. falamos de coisas. de muitas coisas. de todas as coisas. e de papeis. e grelhas. e não de pessoas. e somos pessoas e eles também. e não nos conhecemos. não sabemos que música gostamos. que livro lemos. que filme fomos ver. não há tempo. tempo há, roube-se ao tempo inútil das coisas e falemos como pessoas. diga-se bom-dia. olá. diga-se: vamos tomar um café. e não se fale de coisas outra vez. fale-se das pessoas que somos e que eles são. ou viveremos na escola tão sós que um dia todas as coisas serão só coisas e nós também, e eles também e a escola fechará as portas e será só mais uma coisa entre todas as outras...