09/05/2015
||| testar os professores...
||| ... os professores chumbam em exames de acesso a uma carreira porque não sabem. não saber é um crime para quem tem como profissão ensinar. não sabem escrever em português. não sabem fazer contas. parece tão simples quanto isto. mas não é. porque dizer que, por exemplo, numa prova realizada por quarenta e tal licenciados no ramo educativo, sessenta e tal por cento não tiveram valor positivo e alargar isso a todos os professores enquanto classe é, de per si, de uma desonestidade intelectual e política atroz. quando se atira para o ar esta noção que a seriedade de um sistema inteiro se pode medir pela representatividade não-representativa de números que existem apenas envoltos em papel de embrulho é criar ilusão, desvirtuar a lógica e ser manipulador da realidade das coisas. é também um atestado de incapacidade de um sistema de se auto-regular. se candidatos que, com menos de um tempo certo e determinado de serviço, fazem uma prova e não "passam" duas coisas estão na sua origem. o sistema não prepara. o ministério não faz o trabalho de avaliação das instituições que dizem preparar. pior do que tudo isto é a ideia que passa. é certo que é intencional. é certo que é para desvalorizar ainda mais a carreira e não apenas este "momento de entrada" [que nem isso é porque não há lugar para os acolher].é certo que já sabemos que foi assim nos últimos anos. também é certo que a escola está a morrer à custa destes atentados. são atendados aos nossos direitos mais básicos. o direito à educação e ao valor intrínseco da mesma. ao respeito pelo conhecimento. ao respeito por quem ensina. um dia isso terá um peso determinante no modelo social em que viveremos. nós e aqueles que criaram estes monstros. estas monstruosidades ideológicas que servem apenas para desfazer o que resta da escola pública. o direito à educação, mais do que só a escola, é já um bem de cidadania em risco. e esta é só uma gota de água, a mais, em tudo o resto que já se agiganta em ondas maiores do que se pode imaginar...
07/05/2015
||| o saber prescrito...
||| ... ensina-se como um médico passa uma receita. se souberes isto terás sucesso. tomas cinco doses de dois manuais e mais seis fichas de trabalho e serás bom aluno [e ainda um trabalhador de sucesso ou um empreendedor internacional]. ensina-se com doses iguais. a todos. como se tudo fosse igual. no final, testa-se o efeito da prescrição. se resultou. se não resultou. procuram-se depois as justificações. como se fosse possível haver qualquer outra justificação que não fosse a estupidez de tudo isto. depois justifica-se que não é possível uma diferenciação individual. porque já nem se consegue ver que o sistema está errado. é tudo inevitável. toma-se, por isso, mais um analgésico. a dor passa por momentos. até voltar. em dose maior...
|| a escola esquecida...
||| hoje, a escola é um lugar de gente em esquecimento. ser professor tornou-se um lugar de esquecimento. de falta de forças. de luta contra um sistema maior que empurra para o correr dos dias o cansaço, a fadiga e a falta de vontade de combater. de esquecimento. de esquecimento do que era a alegria de lutar por algo maior. por um projecto. por um trabalho com os miúdos. pelos miúdos, para os miúdos. eles, também se esqueceram do que deve ser estar na escola. que o estudo é um processo e um princípio. e todos se esqueceram de uma coisa muito simples: ensinar e aprender. do prazer que há nisso. do saber que é preciso ter e encontrar nisso. para isso. para ensinar e para aprender. tudo esquecido. ou empurrado para uma letargia mortal. como se tivesse sido sempre assim. sem brio, sem força, sem vontade. não era. não era assim a escola. está feito nisto. está feita esquecimento. mas isso não é uma escola...
26/04/2015
||| da biblioteca no tempo do espaço vazio...
||| ... há um espaço na escola, nas escolas, em muitas escolas, onde ainda se vive o que podia ser a nobre tarefa de ensinar. a biblioteca. uma ágora num espaço cada vez mais fechado ao pensamento livre. há os trabalhos para fazer. os computadores que por lá andam. mas o que define a biblioteca ainda são os livros. é um espaço semi-sagrado na escola. um depósito de esperança. se tivesse que definir o lugar por excelência na modernidade do que podia ser o ensino no futuro seria ali. naquele espaço que parece ser o mais antigo de todos, que iria buscar a forma e força para mudar tudo. porque está lá tudo. as ideias, os pensamentos, os livros, as palavras e a liberdade. que vivam para sempre, estes último redutos da inteligência na escola...
||| não sabem pensar, na escola...
||| ... foi mal feito o remendo. afinal, diz mais um estudo com resultados evidentes para quem está dentro da escola todos os dias, que eles não sabem. eles são os miúdos. eles são só miúdos. a geração do livro de instruções. que nem isso sabem ler. ou melhor, descodificar. são miúdos habituados a cumprir instruções. simples. não foram ensinados a resolver problemas. a pensar. a reflectir. a encontrar soluções. a descobrir curiosamente o mundo com o saber que podiam ter. andaram de mão em mão, do eduquês ao ensino pelo "mando". pelo "comando". como se fosse possível programar todos e cada um para parecerem que sabem por responderem certo. o problema está no saber ler a pergunta. isso ficou esquecido. por todos. aqueles dos discursos limpos e eficientes. aqueles do amor e da felicidade na escola. esqueceram-se que era preciso ensinar a compreender uma pergunta. e depois dizem-se espantados e ofendidos, surpreendidos e estupefactos com um estudo que diz que os miúdos, sim, eles, sabem menos. e não sabem pensar. estranho isto para tantos com tantas certezas absolutas. resta só isto. voltar a ensinar. que ler não é juntar palavras e que o conhecimento é fundamental para a compreensão. talvez seja uma corrente simples demais para seguir. será, talvez, necessário mais um estudo evidente daqui a uns tempos. brinquemos pois às escolas mais um pouco...
25/04/2015
||| a revolução que a escola espera...
||| ... se ainda houver esperança na escola é que haja uma profunda e imensa revolução. uma mudança efectiva. que a escola se transforme. que acolha o respeito, de novo, no seu interior e que o conhecimento seja a sua ferramenta de liberdade. que seja um espaço de futuro. que acolha e prepare. que seja útil e que promova a mudança social. que seja verdadeira fonte de transformação. que seja lugar de educação, saber e inclusão. que seja para todos. feita por todos. que seja lugar onde se lê, vê, cria e pensa. que seja um espaço onde se investiga. onde se pinta. brinca. e onde se deseje estar plenamente. que seja porto de abrigo. lugar seguro. que seja futuro antecipado. e presente elucidado. que vá buscar ao passado o que é preciso para perceber o hoje e o amanhã. e à ciência a certeza do que o dia seguinte pode trazer de novo. que cada pessoa seja um ideal. que cada ideia seja uma força imensa que tudo invada e tudo ilumine. que a escola seja o lugar do bem e do bom. se ainda houver lugar para a esperança numa revolução que seja a escola a sua casa e o seu lugar de partida. porque nada há de mais belo do que imaginar e fazer nascer um novo dia claro e limpo...
||| ensinar a liberdade na escola...
||| ... numa escola cercada por todos os lados pelos constrangimentos de regras, normas, orientações, metas e avaliações a única coisa que resta de esperança é mesmo ensinar que nada disso é preciso para se perceber e fazer cumprir a liberdade que abril abriu...
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